No anterior artigo, abordámos o processo de construção e desenvolvimento do autoconceito ao longo da primeira infância.

Hoje, vamos perceber em que consiste a auto-estima, conceito frequentemente confundido com o primeiro,qual a importância destes dois construtos no desenvolvimento sócio-emocional da criança, e de que forma os Pais podem contribuir para que a sua criança cresça confiante.

A auto-estima engloba os sentimentos decorrentes do autoconceito, ou seja, é o julgamento que cada um faz do seu próprio valor, com implicações na atitude que a própria tem em relação a si própria. A auto-estima incluí dois aspectos básicos, o sentimento de auto-eficácia e o sentimento de se ter valor. Como já vimos, só mais tarde é que as crianças são capazes de fazer uma avaliação realista das suas capacidades e traços de personalidade, daí que tendam a aceitar o julgamento dos adultos e o feedback que eles lhe vão dando acerca de si.

A auto-estima de uma criança está muito relacionada com a sua aprendizagem, e, uma vez que passa a maior parte da sua infância na escola, é através dos seus sucessos e fracassos neste âmbito, que vai formando o seu autoconceito. Os estudo mostram que crianças com baixa auto-estima, tendem a apresentar humor depressivo, o que leva a uma diminuição dos níveis de energia, afectando consequentemente o desempenho escolar. Em situações em que a sintomatologia depressiva se encontra instalada, funções como a atenção e a memória, também são afectadas, prejudicando o desempenho da criança.

Perante tudo isto, torna-se fundamental desenvolver esforços para que, desde cedo, a criança crie uma imagem positiva de si, atribuindo-se valor próprio! Seguem algumas sugestões que se podem revelar eficazes:

1- O fundamental para o desenvolvimento da auto-estima é o reconhecimento que os pais expressam ao filho pelos seus comportamentos. Assim, é importante salientar o TU na frase que explicita o elogio e não apenas o comportamento “Tu deixaste-me muito feliz, com as notas que tiveste!” é melhor do que dizer “As notas que tiveste deixaram-me feliz!”

2- Além de elogiar o comportamento da criança é preciso elogiá-la por si mesma enquanto pessoa, dizer o quanto é amada, independentemente do seu comportamento. Se os elogios foram fornecidos apenas mediante a emissão de um comportamento adequado, a criança pode ficar com a sensação de que só merece atenção, carinho e amor, ao comportar-se bem.

3- É essencial para a criança, sentir que o seu esforço é valorizado, muito para além dos resultados que obtém. Desta forma, ela vai desenvolver confiança para aceitar novos desafios, sem receio de falhar e ser considerada “fraca”.

4 -A auto-estima elevada caminha de mãos dadas com a habilidade para resolver problemas. Promova a reflexão na criança sobre possíveis soluções. Tente simular algumas possíveis situações com a criança para ajudar a demonstrar as etapas envolvidas na resolução de problemas.

5- Em situações em que a criança tem um comportamento inadequado, devemos sempre reprovar o comportamento, e não a criança. Desta forma estamos a transmitir-lhe que gostamos dela, apenas desaprovamos o comportamento que revê.

6- Promover oportunidades para a criança pedir ajuda e ajudar os outros, faz com ela se sinta segura, valoriza, e que tem algo a oferecer ao mundo. É imperativo que a criança se sinta amada, apoiada e aceite para edificar uma autoestima sustentada. As crianças com a auto-estima elevada percepcionam-se capazes de enfrentar os seus desafios, propõem-se à realização das tarefas e resistem melhor à frustração.

Beatriz Abreu – Psicóloga @ WeCareOn