A denominação fibromialgia, palavra derivada do latim fibro (tecido fibroso, presente em ligamentos, tendões e fáscias), e do grego mio (tecido muscular), algos (dor) e ia (condição), foi proposta inicialmente por Yunus e cols. em 1981, com o intuito de substituir o termo fibrosite, até então utilizado para denominar um tipo particular de reumatismo caracterizado pela presença de pontos musculares dolorosos à palpação, a partir do entendimento de que não havia, nestes adoecimento ou inflamação tecidual.

 

O que é a Fibromialgia?

A fibromialgia pode ser definida como uma síndrome dolorosa crónica, onde a dor é o sintoma mais importante. Carateriza-se, também, por dores musculoesqueléticas difusas e pela presença de pontos dolorosos em determinadas regiões do corpo, que são extremamente sensíveis ao toque, os chamados “tender points”, conforme a imagem:

Tender points, os pontos de da fibromialgia

 

 

Segundo um informe da Associação Nacional contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica (MYOS), a fibromialgia é uma condição patológica que atinge entre 2% a 5% da população adulta, dos quais 90% são do sexo feminino, geralmente inicia-se entre os 20 e os 30 anos. A fibromialgia não apresenta consenso na comunidade médica por não apresentar causas aparentemente plausíveis ou verificáveis através de exames laboratoriais ou imagiológicos. O doente de fibromialgia pode ser confundido com alguém que se queixa sem motivos aparentes.

 

Causas e consequências da Fibromialgia 

A dor não se deteta ao nível imagiológico pois é causada por um sofrimento emocional. A resposta para os doentes de fibromialgia pode-se encontrar em causas ou conflitos emocionais familiares. Tratando-se de emoções recalcadas no foro psíquico e veiculadas pelos nervos, sendo por isso enquadrada nas perturbações psicossomáticas –  sendo o sintoma, o sentido e o significado encontrado para expressar através do corpo aquilo que não é capaz de elaborar mentalmente e expressão verbalmente. Sendo também, comum a alexitimia, nestes pacientes, ou seja, a incapacidade para expressar emoções, a palavra perde a capacidade de traduzir a tensão internamente sentida.

 

FIBRO = tendões e fibras elásticas musculares – simbolizam as fibras familiares, laços familiares, relações familiares. O doente vive preocupado com o seu rendimento no presente. “Já não consigo ir para todo o lado…

 

MIO = músculo. A forma como “eu me subjugo a todas as “más” relações”. Está estreitamente relacionado com FORÇA ou POTÊNCIA. Neste caso, com a ausência das mesmas, isto é, a sensação de IMPOTÊNCIA. “Eu já não posso mais…

 

ALGIA = DOR. A dor emocional que causam as referidas situações, que se refletem em dor física. A dor física é estritamente proporcional à dor moral, emocional e/ou psicológica.

 

Potenciais desencadeadores:

A fibromialgia pode ter inicio na infância ou adolescência, sendo mais comum verificar-se entre os 20 e os 30 anos. Além dos fatores já mencionados, pode desenvolver-se após:

  • Trauma físico (traumatismo, infeção, cirurgia…);
  • Doença clínica / hipotiroidismo;
  • Trauma psicológico ou emocional (luto de alguém significativo ou rutura afetiva);
  • Trauma infantil (maus-tratos, negligência, abuso);
  • Stress emocional e constrangimentos familiares;
  • Problemas financeiros ou profissionais.

 

Consequências

  • Perda da qualidade de vida;
  • Sintomas depressivos;
  • Sentimentos de desvalia;
  • Prejuízo do relacionamento interpessoal.

 

Sintomas da Fibromialgia

A gravidade depende da intensidade dos sintomas, que vão desde:

  • Fadiga constante;
  • Dores musculares;
  • Dores generalizadas por todo corpo – queixas com incidência na dor lombar e rigidez do pescoço;
  • Sono não reparador;
  • Dor de cabeça;
  • Distúrbios gastrointestinais e/ou ginecológicos;
  • Ansiedade e depressão;
  • Entre outros.

vários tipos de sintomas de fibromialgia e como isso afecta o corpo

 

A depressão é muito comum entre os doentes de fibromialgia, listo alguns dos fatores que concorrem para o seu desenvolvimento:

  • Período prolongado de indefinição diagnóstico;
  • Fraco suporte social;
  • Incredulidade na doença;
  • Luto decorrente de uma doença crónica;
  • Perturbação do sono;
  • Outras patologias associadas.

 

Diagnóstico da Fibromialgia 

O diagnóstico é clínico, geralmente estabelecido por um médico. É difícil, por não haver alterações laboratoriais específicas.

Critérios:

  1. Persistência das queixas dolorosas músculo-esqueléticas difusas/generalizadas por um período superior a três meses;
  2. Presença de dor em pelo menos 11 dos 18 pontos anatomicamente padronizados;
  3. Ausência de outra condição que possa explicar o quadro doloroso.

 

Instrumentos de avaliação do quadro doloroso:

  • Escalas Unidimensionais (Escala verbal numérica, Escala numérica visual, Escala visual analógica, Escala de categoria de palavras, Escala Comportamental);
  • Escalas Multidimensionais (Inventario de McGill e Breve Inventario de Dor).

 

Tratamento da Fibromialgia

O tratamento da fibromialgia deve ser multidisciplinar, individualizado, contar com a participação ativa do paciente e basear-se na combinação das modalidades não farmacológicas e farmacológicas, devendo ser elaborado de acordo com a intensidade e características dos sintomas. É importante que sejam consideradas também as questões biopsicossociais envolvidas no contexto do adoecimento.

 

Como parte inicial do tratamento, devem ser fornecidas aos pacientes, informações básicas sobre a doença e suas opções de tratamento, orientando-os sobre o controle da dor e programas de autocontrole.

 

O tratamento farmacológico, além do controle da dor, tem como objetivos induzir um sono de melhor qualidade, e tratar os sintomas associados como, por exemplo, a depressão e a ansiedade.

 

Os anti-inflamatórios não hormonais (AINH) não devem ser utilizados como medicação de primeira linha, por não haver evidências da existência de inflamação, no entanto são usados na abordagem de queixas como as dores de cabeça e as dores articulares.

 

A FDA (Food and Drug Administration) aprovou para o tratamento da Fibromialgia: a pregabalina e a duloxetina. A pregabalina é um modulador do canal de cálcio, que diminui a liberação de neurotransmissores excitatórios da dor nas terminações nervosas, particularmente a substância P e o glutamato. Os estudos demonstram alívio significativo da dor, fadiga, ansiedade e dos distúrbios do sono com este fármaco. A duloxetina é um inibidor da recaptação da serotonina e da noradrenalina (antidepressivo) que também se tem mostrado eficaz na redução da dor e melhoria da capacidade funcional, independentemente da presença de depressão.

 

Os antidepressivos tricíclicos, especialmente a amitriptilina e a ciclobenzaprina, tomados em dose única duas a três horas antes de deitar, podem ser eficazes na melhora da dor e da qualidade do sono, além de contribuírem para a capacidade funcional.

 

Muitos outros agentes medicamentosos foram estudados, porém, em geral, com resultados menos satisfatórios.

 

O tratamento não farmacológico tem papel crucial no controle dos sintomas

Os portadores de fibromialgia beneficiam com a realização de atividade física, porque contribui para: a melhoria da dor, da qualidade do sono, da fadiga, da ansiedade, depressão e de outros sintomas. Some-se o fato de que pode haver uma socialização, dependendo de circunstâncias, e influenciar positivamente alguns aspetos psicológicos.

 

São muito variadas as formas de exercícios aeróbicos: caminhadas, marcha, bicicleta, remo, exercícios de alongamentos, exercícios de fortalecimento muscular, e variadas modalidades de hidroterapia (exercícios respiratórios aquáticos, hidroginástica, natação, entre outros). Também são benéficos os métodos de reabilitação como: coping, biofeedback, educação familiar, terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e massagens.

 

A Contribuição do Psicólogo

 

Psicoterapia

A terapia EMDR tem-se demonstrado eficaz no manejo de dor crónica, já que sabemos que a dor física tem muitos componentes emocionais, especialmente nas doenças psicossomáticas (como enxaquecas, dores de coluna e fibromialgia).

 

Ajuda o paciente a desenvolver a sua perceção de si mesmo, com o objetivo de  relacionar os acontecimentos da sua vida emocional com os do seu corpo (como as questões emocionais afetam diretamente o nível das suas dores).

 

Técnicas de relaxamento:

Tem o objetivo de aliviar as tensões musculares, tranquilizar a mente, exercitar a respiração abdominal com o intuito de revitalizar todo o organismo e controlar o stress.

 

Técnicas de sensibilização:

São aplicadas para despertar o paciente para o uso dos seus próprios recursos no combate à dor (saindo de uma posição passiva para colaborar ativamente no seu tratamento – desenvolvendo atitudes de proatividade, afirmação e assertividade).

 

Técnicas de visualização

Ajudam o paciente a aumentar as suas resistências físicas e psíquicas; preparam-no para que o paciente possa perceber os momentos difíceis através de outra ótica, deixando-o mais relaxado e confiante, o que resultará no reforço das suas defesas imunológicas.

A imaginação, como a emoção, é responsável por libertar na corrente sanguínea, hormonais relaxantes ou estimulantes. Estes fazem com que os níveis de linfócitos T ou de imunoglobulina sanguínea aumentem, reforçando assim as defesas do organismo ou seja do Sistema Imunológico.

Levar o paciente a identificar sentimentos, visualizar a sua dor, criar formas mentais de lidar com a mesma e combatê-la, é tão eficiente como os processos da medicina convencional (medicamentos).

 

 

Nota: trata-se de um artigo informativo, com base em diversos autores e de diferentes campos, Psicologia, Medicina e Fisioterapia.

 

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Liliana Pena – Psicóloga, psicoterapeuta e supervisora clínica da WeCareOn