Neste artigo vamos falar das diferenças entre psicoterapia de apoio e psicoterapia psicanalítica. Saiba o que é cada uma destas áreas de intervenção psicológica e qual pode ser mais indicada para si.

 

Psicoterapia de apoio

 

A Psicoterapia de Apoio é o tipo de Psicoterapia que o licenciado em Psicologia está habilitado a realizar.

Também designado apoio psicológico, é uma modalidade de intervenção psicológica de particular relevância para pessoas que estejam a passar por um momento mais complexo na sua vida. Todas as pessoas, ainda que resilientes e “resistentes” sofrem com desgaste psicológico e emocional em momentos particularmente desafiantes.

Procurar apoio psicológico é algo que deve ser feito com naturalidade e simplicidade. É normal e faz parte de uma certa rotina de saúde mental. A fragilidade emocional em certos momentos da vida não deve ser encarada com um sinal de fraqueza e a procura de ajuda nestes casos pode e deve ser feita com a mesma linearidade de quem procura um médico para tratar uma gripe ou uma entorse.

As técnicas da Psicoterapia de Apoio passam pela escuta ativa, com base na empatia e algum aconselhamento e orientação. O objetivo é portanto  ajudar o paciente a “arrumar” os seus pensamentos e afetos, por vezes desorganizados ou colocados sob uma perspetiva menos adaptativa. Uma maior clareza em relação aos mesmos pode ser o suficiente para ajudar o paciente a encontrar as soluções que procura ou a mudar o seu sentir.

Por vezes, a situação de crise pode conduzir a uma rutura, ainda que temporária, do equilíbrio mental. Esta situação é perfeitamente normal e muitas pessoas se sentem desta forma em certos momentos da sua vida. O apoio psicológico ajuda o cliente reencontrar este equilíbrio, reorganizado o seu sistema defensivo, então abalado.

As razões que levam a esta rutura podem prender-se com eventos da vida real, ou com a realidade subjetiva. Por outras palavras, é perfeitamente legítimo procurar apoio psicológico por sentimentos de tristeza, desinteresse, ansiedade, desmotivação, ainda que nada fora da rotina tenha acontecido.

O paciente em Psicoterapia de Apoio tem habitualmente sessões semanais ou quinzenais de 45 a 50 minutos.

Quando ocorre em grupo, constituem-se habitualmente grupos temáticos de pessoas que experienciam acontecimentos de vida semelhantes.

 

Psicoterapia psicanalítica

A Psicoterapia Psicanalítica distingue-se da Psicoterapia de Apoio não só pelas técnicas utilizadas, como pela duração do processo psicoterapêutico (mais longo) mas sobretudo pela amplitude e ambição do objetivo em causa: a reestruturação em profundidade da personalidade.

A Psicoterapia Psicanalítica baseia-se no conjunto de conhecimentos desenvolvido pela Psicanálise. Nesta abordagem a pessoa é vista como um todo e o sintoma e as circunstâncias de vida atual, adquirem um papel menos relevante. Isto porque são vistas como a parte visível de um iceberg, sendo que aqui importa explorar portanto a parte não visível, que está na origem do sintoma e do sofrimento.

Este conceito não significa de todo que a Psicoterapia Psicanalítica não dê relevância ao sintoma e a dor psicológica atual, e que não se centre na sua melhoria/alivio. Contudo o objetivo a médio/longo prazo é mais ambicioso. Trata-se não só de aliviar o sintoma, mas de tratar a raíz do problema que o origina, visto que este mesmo problema pode surgir sob a forma de outro sintoma, futuramente, se não for devidamente olhado.

A Psicoterapia Psicanalítica é um processo longo, implicando por isso uma motivação especial por parte do paciente. Semana após semana o terapeuta tem a oportunidade de acompanhar a vida da pessoa através dos relatos do seu cliente, descobrir e oportunamente devolver, padrões de funcionamento e de relacionamento interpessoal, então identificados.

A identificação destes padrões também é passível de ser feita através da própria relação com o terapeuta: o paciente pode na relação com o seu terapeuta, reproduzir padrões de interação que habitualmente adota nos seus relacionamentos familiares e sociais, podendo isto ser revelador e desbloqueador de uma série de situações.

Esta relação paciente/ terapeuta supõe-se portanto como transformadora e geradora de novos modelos mais adaptativos e funcionais. É na verdade um dos principais instrumentos a disposição do Psicoterapeuta. O paciente encontra na relação com o seu terapeuta, caraterísticas diferentes de todas as outras relações que tem. A relação terapêutica é portanto alvo de grande atenção por parte da Psicanálise Contemporânea.

O terapeuta assume uma atitude empática, de não julgamento, escutando ativamente, compreendendo e devolvendo a sua compreensão quando oportuno, analisando, interpretando, acompanhando e ajudando a transformar as emoções e as vivências mais difíceis, com o objetivo de apoiar o paciente num processo de auto-descoberta e aceitação de si próprio.

Para estar habilitado a este tipo de Psicoterapia, o técnico deve ter especialização própria em Psicanálise ou Psicoterapia Psicanalítica, podendo ou não ter a Psicologia como base curricular.

É comum no entanto que Psicólogos com formação em Psicoterapia Psicanalítica/ Psicanálise, façam uso de técnicas de ambos os modelos, de acordo com as necessidades do paciente e o momento da terapia.

Por vezes torna-se interessante e produtivo, iniciar por uma abordagem mais centrada no presente e no sintoma, e depois aprofundar, numa investigação mais ativa acerca da origem do sintoma, tendo por base a associação livre do paciente, aliada às outras técnicas da Psicanálise.

O Psicoterapeuta Psicanalítico é alguém que tem uma sólida formação no tema, que durante anos participa em grupos de Supervisão Clínica com membros didatas das respetivas sociedades e Intervisão com colegas (salvaguardando sempre a confidencialidade dos seus clientes), e que faz ou fez o seu próprio processo analítico individual, estão portanto emocionalmente disponíveis para o trabalho que se propõem realizar.

A Psicoterapia Psicanalítica está também indicada para pessoas que queiram aperfeiçoar o seu auto-conhecimento, não padecendo de nenhuma doença mental ou sintoma psicopatológico.

Face ao exposto, facilmente se pode entender que este tipo de abordagem implica uma capacidade mínima de insight (capacidade mínima para refletir sobre si próprio e para olhar com alguma distância para si próprio, para os seus pensamentos, sentimentos, comportamentos, etc.)

As sessões têm habitualmente a duração de 45 ou 50 minutos.

A Psicoterapia Psicanalítica é a mais profunda e completa forma de intervenção, sendo os seus resultados os mais duradouros, em relação a outras formas de Psicoterapia. Daí o fato de ser mais longa.

A Psicoterapia Psicanalítica distingue-se da, também amplamente reconhecida em termos de eficácia, Psicoterapia Cognitivo-Comportamental essencialmente pelas ferramentas utilizadas.

Este último modelo parte do pressuposto de que pensamentos e crenças não adaptativos podem influenciar as emoções e comportamentos, sendo responsáveis pelo aparecimento de sintomas. A identificação das crenças não adaptativas e a sua correção por meio do raciocínio lógico e de técnicas cognitivas apropriadas podem eliminar os sintomas. Baseia-se portanto no pressuposto da existência de estruturas cognitivas aprendidas ao longo do crescimento do indivíduo.

Qual é a mais adequada para si? Se tiver questões, fale comigo, para ajudar na escolha.

 

Marta Reis – Psicóloga WeCareOn