No mecanismo respiratório, o músculo que separa o tórax do abdómen desempenha um papel importantíssimo. Se você se deitar de barriga para cima, poderá observar como o abdómen sobe e desce ao ritmo respiratório. O nosso diafragma funciona como uma membrana. Quando desce, inchando o abdómen, arrasta consigo a base do pulmão, aumentando o volume interno deste, o que vai produzir uma maior sucção de ar. Isto é a inspiração. Na expiração, dá-se exactamente o contrário; o diafragma, elevando-se comprime os pulmões, expulsando o ar e todas as toxinas (Sandor, 1982).

Segundo o mesmo autor, este mecanismo, muito positivo e saudável para o nosso corpo, com a vida sedentária que levamos, desgraçadamente vai-se perturbando até quase desaparecer na maioria das pessoas adultas. É como se o diafragma morresse aos poucos. Resta no fim tão-somente a respiração com a parte superior dos pulmões. Curiosamente, mesmo até nos atletas de alta competição, este fenómeno ocorre. Quando querem respirar fundo para recuperar a calma, levantam os braços, comprimindo e enchendo de ar somente o terço superior dos pulmões. Fazem exactamente o contrário do que no yoga ensina e que é a forma ideal e natural de respirar.

O atleta ocidental inspira enchendo o peito e encolhendo a barriga. O praticante de yoga, inspira projectando ligeiramente a barriga, puxando para baixo o diafragma, enchendo, assim, todo o pulmão inclusive na sua base, onde é a zona mais rica em alvéolos, portanto, a zona mais importante para a economia vital.

A morte do diafragma paralisa a movimentação da parede abdominal. Esta, pela falta de exercício, vai definhando progressivamente, não podendo mais suster nos lugares certos as vísceras, que vão dilatando e caindo pela acção da gravidade.

A respiração ocidental nega ao organismo um tesouro dos benefícios decorrentes da massagem automática e natural que a respiração diafragmática promove nos órgãos internos e nas glândulas, a par de que, do ponto de vista quantitativo, trabalhando apenas com um terço do pulmão, reduz proporcionalmente a “capacidade vital”. A respiração diafragmática tem sido utilizada no tratamento de problemas cardíacos. Este tipo de respiração vai massajar com naturalidade o coração e as nossas vísceras. No caso dos intestinos, ela é particularmente benéfica.

Trata-se de um exercício puramente mecânico. Neste exercício ainda não nos preocupa propriamente a respiração. Sentados ou em pé, tendo previamente esvaziado os pulmões, movimente a barriga para diante e para trás sob a acção do diafragma. Desde este primeiro exercício, você deve estra atento e concentrado no que está a fazer.

Comece inicialmente com um minuto no primeiro dia, e vá acrescentando um nos dias seguintes, até atingir cinco minutos. Não é preciso exagerar no esforço, seja moderado. Evite fazer este exercício com comida no estômago. Para ser mais fácil, de pé, incline o tronco ligeiramente para afrente, apoiando as mãos nas coxas um pouco acima dos joelhos.

O pulmão é como uma esponja que se deve de embeber, não de água, como uma esponja comum, mas de ar. A cada inspiração se enche de ar, que depois será lançado para fora quando os músculos respiratórios se relaxarem na expiração. Vulgarmente, tanto a inspiração como a expiração não são feitas com todo o pulmão, mas apenas com um terço, assim a esponja só funciona na sua terça parte. O que acontece com o restante? Uma coisa bastante má – fermentação: uma grande quantidade de ar fica estagnado, sem renovação, sujeita portanto a deteriorar-se a si e ao próprio pulmão e, com isso, toda a saúde.

Precisamos, por tanto, aprender esta prática higiénica tão pouco conhecida e tão útil, qual seja a de expulsar do pulmão o ar residual e fermentado. Aprendemos a espremer ao máximo a esponja.

Suponhamos que você já aprendeu a movimentar o diafragma. Expulse todo o ar, ajude com uma pequena tosse e complete puxando aquele músculo para cima e comprimindo a musculatura abdominal, o que será conseguido com o encolher ao máximo o abdómen como que desejando encostar o umbigo às costas.

Pratique!