É habitual ver pessoas decepcionadas com o amor por acharem que o mesmo esfriou ou ainda por não se sentirem apaixonadas desde o princípio da relação. E há ainda aquelas que acreditam no amor instantâneo, sem história.

Mas, o que é o amor ou o que é a paixão?

 

 

Muitos confundem esses dois sentimentos e consideram que são emoções imediatas e incontroláveis… Talvez, para os adolescentes, sedentos por novas experiências, seja mesmo assim.

Contudo, para nós, adultos, a paixão é uma forte atração, muitas vezes movida pelas nossas inseguranças e necessidade de sedução, em busca de nos sentirmos atraentes, usando da paixão como fonte para alimentar a autoestima.

 

 

Muitas pessoas, diante da sensação de infelicidade e solidão numa relação a dois, buscam avidamente a paixão. Estão sempre prontas a seduzir alguém disposto a lhes fazer sentir aquilo que não sentem com o seu parceiro/a. Como se isso servissse de remédio para a sua real insatisfação.

Já o amor nasce de uma relação e não necessariamente da paixão. Esta pode ser despertada ao longo do tempo e não precisa, como geralmente se pensa, vir primeiro. O amor é como uma semente que para crescer e fincar raízes precisa de muito cuidado, carinho e atenção.

 

 

É no dia a dia, no compartilhar e no desfrutar do quotidiano, dos planos, dos desejos, dos sonhos, dos impasses, dos medos, das fraquezas, das frustrações… que vamos de modo quase que mágico fortalecendo o amor. Este pede intimidade, fisica e subjetiva.

Porém o mais difícil do amor, é que essas simples ações quotidianas exigem além do vínculo afetivo com o outro, um constante progresso em termos de maturidade emocional. É ela que vai dar qualidade ao amor, pois é ela que nutre a confiança, a empatia e a cumplicidade. E são estes três componentes que, temperados pela atração, dão o sabor da relação e contam a sua história.

 

 

Se pudesse deixar algumas breves dicas sobre o amor e o apaixonar-se diria em primeiro lugar que toda boa relação é construída todos os dias, com muito trabalho, ou seja, com dedicação. São nos pequenos detalhes, nos pequenos gestos afetivos, no negociar espaços, permitindo haver dois eus e o nós, que o amor cresce e como cresce!

 

Por isso, para o amor dar certo, cuidemos cada um do nosso emocional, não nos deixemos contaminar por outras histórias, pelas histórias que marcaram nossos pais e outros personagens importantes, pois sem percebermos acabamos por repetir muitos enredos, que não seriam naturalmente nossos. Pensemos nas frases e nas supostas verdades que nos marcaram e questionemos se é isto mesmo que sentimos.

Cuidemos e valorizemos aquele/a que amamos e do mesmo jeito que nos cansamos para dar conta da carreira, do trabalho, também invistamos tempo e “formação” para vivermos por inteiro relações.

 

Afinal, “que seja infinito enquanto dure”, como bem diz o poeta Vinícius de Moraes.

 

​Por Marcela Alves, psicóloga