Quando falamos de amor, falamos indiscutivelmente do quanto investimos na nossa relação, em nós mesmos e no outro.

Lembram-se de quando conheceram aquela pessoa especial pela qual se enamoraram?

Lembram-se se como reservavam horas, para se preparem e estarem no vosso melhor para dar a melhor impressão?

Lembram-se do tempo que passavam a pensar no outro e dos vossos encontros?

Lembram-se ainda, de quando estavam juntos? Nada mais importava, nem o tempo, nem as tarefas pendentes, nada mais, a não ser, aproveitar ao máximo todo o tempo que restava!

 

Pois é. E agora, o que é feito dessas sensações e desse tempo?

Sente que algo se descontrolou?

 

O tempo da paixão e das emoções ao rubro dão permissão a um tempo mais calmo, de descobertas, de prós e contras e da assimilação do eu, do outro e da nossa relação. A paixão fica menos acessa e o amor fica cada vez mais forte com uma luz contínua mas moderada. E, o segredo para que esta luz nunca se apague, necessita de grandes investimentos pelo casal.

 

E aqui chegamos, à verdadeira e derradeira realidade. O nosso tempo é dividido por um sem número de necessidades urgentes e tudo em 24 horas! Nem mais nem menos.

Dividimos o tempo com urgências. Urgência em manter a chama acesa da nossa relação. Urgência em cuidar dos nossos filhos, família e amigos. Urgência para mantermos o nosso trabalho. Urgência em cuidarmos de nós. Urgência em sermos assertivos. Urgência em sermos corretos. Urgência em sermos cultos e informados. Urgência em sermos capazes. Urgência em sermos melhores. Urgência em ultrapassarmos as nossas dificuldades bloqueios e medos…. E se continuarmos a pensar….vamos encontrar, à medida de cada um, mais urgências.

 

Começa a sentir o desespero, só de ler estas urgências, certo?

E não é para menos!

 

Podemos questionar, porque é que isto acontece?

 

A resposta vem pelas neurociências! Quando estamos a aprender algo novo, por exemplo, a conduzir, o nosso cérebro, está profundamente comprometido e atento a tudo, para que o máximo de informação seja apreendida. Isto, tal como na fase da paixão, faz com que à nossa volta muitas coisas sejam secundárias. Porque o importante é adquirirmos esse, “algo”, que é novo para nós. Após esta fase, vem a fase da adaptação. E por uma questão de sobrevivência o nosso cérebro tende a se adaptar. Seria impossível e doentio, o nosso cérebro, estar em alerta e atento a tudo o que nos rodeia. Então ele adapta-se e como já aprendeu determinadas coisas, ele parte, para outras coisas, que de acordo com cada pessoa, serão mais importantes no momento. Por exemplo, após termos aprendido a conduzir, facilmente, deixamos de pensar de forma consciente, sobre qual a mudança que iremos usar durante a nossa condução. Esta escolha já começa a ser automatizada. Desta forma, o nosso cérebro, poderá focar-se noutras situações também de grande importância, como por exemplo, já conseguimos pensar, em quanto conduzimos, num plano para o jantar, ou de nos relembrarmos de algo que se passou nesse dia e que nos está a preocupar ou nos fez felizes.

Assim, sabendo que o nosso cérebro, tem esta função de adaptabilidade, conseguimos perceber de forma simples, porque é a paixão tem um prazo limitado.

 

Porém, outra reflexão importante surge. Se o nosso cérebro se adapta poderemos estar a deixar passar ao lado situações importantes? E a resposta é um Redondo SIM.

 

Sim podemos, e por isso é importante, pararmos e refletirmos, na nossa vida e na nossa relação, para percebermos se existem pontos que devemos retomar, convergir ou mudar.

É desta forma, que a “chama” do amor se vai mantendo. É importante que ao longo dos anos o casal, se reavalie e reavalie a sua relação, pois nem as pessoas ficam estáticas, nem as suas relações, tudo está em constante mudança!

 

Listar o que há de novo a incluir, como por exemplo, filhos, doenças, novos empregos ou mudanças importantes. Listar as evoluções de ambos. Se deixamos de gostar de algo que gostávamos antes e passamos a ter outros interesses e de que forma isso afeta o outro e a relação. Listarmos ainda o que está negativo. Listarmos, o tempo que dedicamos ao namoro no casal, à sexualidade e ao lazer.

Parar e refletir, para isso precisa apenas de alguns minutos, e acredite, irá poupar muito tempo e ficar menos desgastado(a), do que deixar a sua relação andar em piloto automático, sem rumo específico.

 

E quando não conseguimos parar? E quando as urgências são todas importantes? E quando não conseguimos fazer uma análise?

 

Pois, estas dificuldades, ocorrem e são mais frequentes do que se pensam. A teoria é fácil de perceber e as dicas também, contudo, existem casais, e pessoas, a quem as teorias e as dicas são percebidas mas depois não conseguem passar para a implementação.

Porque é que isso ocorre?

Estará a pessoa doente, a relação sem solução? Não.

 

Basta a pessoa estar em desequilíbrio ou o casal sobrecarregado de tarefas, para que algo que para uns é simples, seja um caos e seja difícil de implementar.

 

Se se encontra nesta situação, procure ajuda!

Se precisa de tempo para descansar, por exemplo, procuro delegar tarefas. Se precisa de comunicar melhor e não sabe como fazer, procure on-line uma formação sobre comunicação assertiva. Se sente que está em desequilíbrio psico-emocional ou não controla a sua relação, procure ajuda de um psicoterapeuta. Se não está a conseguir gerir bem o seu tempo, procure planificar melhor o seu dia-a-dia, use e abuse de uma agenda (e só de uma agenda, não tenha mais do que uma, para não dispersar os conteúdos).

 

Cada caso é um caso, analise qual é o seu e acione tudo o que está ao seu alcance para agir. Se ficar parado(a), o tempo irá passar e pouco irá fazer para conseguir ter o que precisa para ser feliz.

 

Entre em contato se tiver qualquer dúvida 😉

 

Beijinhos e até breve!

 

​Por Liliana Silva, Psicóloga e Coach