Não há relações perfeitas.

 

Esta é uma frase que se ouve com alguma frequência quando em conversas sobre relacionamentos alheios alguém acaba por referi-la. No entanto, com o aproximar do Dia dos Namorados somos diariamente inundados de imagens comerciais que apelam à perfeição nos relacionamentos amorosos. E no que toca a esta questão, existem dois grandes grupos: o das pessoas que aceitam que a sua relação não é perfeita e convivem bem com isso e o grupo das pessoas que por não aceitarem a imperfeição, almejam algo tão impossível que acabam por mecanizar toda a relação podendo até comprometer o seu futuro. E é aqui que surge o conflito. Quando alguém idealiza a sua relação substituindo a verdadeira relação pela nova imagem formada, como uma distorção da realidade, está inconscientemente a impedir a espontaneidade relacional e todas as coisas positivas que daí possam advir.

 

Existe uma forte tendência para os casais admirarem determinadas relações próximas que se aproximem do ideal de uma relação. Isto não tem que ser necessariamente prejudicial se funcionar numa perspetiva de admiração. Se o casal ou um dos elementos utilizam este exemplo como um modelo a seguir criteriosamente pode prejudicar-se, já que até poderá ser fácil reproduzir os melhores momentos observáveis, contudo, cria-se uma lacuna relativamente aos momentos de crise, que geralmente são mais privados, gerando frustração pelo desconhecimento das estratégias de resolução e de comunicação que o “casal exemplar” põe em prática.

 

O tempo que o casal despende a idealizar a sua relação tem impacto na perda de oportunidades de conhecerem e de aprenderem mais um com o outro, atrasando assim o processo de construção da sua própria relação, que se inicia obviamente pelas bases.

Sem existir fórmula perfeita (porque mais uma vez, a perfeição não existe), o truque está em aceitar que todas as relações saudáveis têm os seus conflitos, porque uma relação entre duas pessoas diferentes envolve naturalmente sentimentos, ideias e perspetivas diferentes. Tudo depende da forma como os elementos do casal encaram as divergências. E neste ponto, a comunicação é fulcral. É saudável discordar, mas há que fazê-lo de forma assertiva. Quando o diálogo se transforma num campo de batalha onde necessariamente um ganha e outro perde, gera-se uma competitividade que desvia a relação do objetivo principal: união e cumplicidade.

 

Comunicar de forma eficaz num relacionamento amoroso envolve colocar-se no lugar do outro, fugindo de generalizações que magoem e expressando a sua opinião de forma objetiva e clara sem criticar o outro.

É na experiência da comunicação aberta que os casais ganham conforto em expressar os seus sentimentos e relação enriquece, evitando assim a anulação de afetos e a repressão de sentimentos, frequentemente tóxica ao futuro do relacionamento.

 

A jogar um jogo, que ambos os elementos do casal estejam na mesma equipa, pois só desta forma estará a investir na cumplicidade através das vitórias e derrotas vividas em união.

Porque todos os grandes romances com príncipes encantados incluem os seus momentos de sapos.

 

Um feliz dia dos namorados.

 

Por Cristina Reis – Psicóloga @ WeCareOn