A investigação mostra que a adolescência é vivida pela maioria dos/as jovens sem crises ou turbulência grave. Neste artigo procuramos demonstrar como os momentos de rebeldia e de contestação podem ser entendidos como tentativas de crescimento emocional em busca de autonomia e da identidade.

 

O que se espera de um/a jovem no final da adolescência?

 

Ter ultrapassado a conflitualidade com os pais/mães e manter agora uma relação de autonomia e respeito mútuo, conseguir reconhecer os seus próprios sentimentos e o modo como os expressa.

 

Saber resolver sozinho tudo o que envolva contacto com outros e tenha que ver diretamente com a sua vida. Vivenciar a sua identidade sexual de forma saudável, através de um processo de avanços e recuos, mas agora num patamar de autoconfiança e respeito com e para os outros.Ter capacidade para estabelecer relacionamento interpessoal sem ansiedade e uma rede de amigos/as nos quais possa confiar.

 

Ter níveis de autoconfiança adequados que o/a torne capaz de aguentar fracassos, suportar com calma chefes incompetentes, tolerar a frustração. Ter uma adequada noção de risco, mesmo que tenha tido uma educação caracterizada pelos pais/mães por superproteção e dominada pelo medo, para que esteja capaz de enfrentar desafios na vida.

 

Ser capaz de sentir empatia pelos outros com quem se relaciona.

 

Ter uma noção clara de ética em todas as dimensões do seu funcionamento, com especial atenção ao relacionamento interpessoal, onde deverá prevalecer o necessário e permanente reconhecimento do outro.

 

Mas então, porque é que, por vezes, nos parece que é tudo tão difícil com os/as adolescentes?

 

Porque há mudanças a acontecer, no/a adolescente e na própria família. E talvez já nem nos lembremos delas, mas também aconteceu connosco. Quais são, então os principais desafios que a família encontra nesta fase?

 

Podemos dividir as principais tarefas da família em três grandes grupos:

  1. Mudanças no relacionamento entre Adolescente e Pais/Mães.
  2. Mudanças no relacionamento com o grupo de amigos/as.
  3. Mudanças no corpo físico, emocional e psicológico.

 

Tarefas da Família da Adolescência – Afinal quem é que manda aqui?

(ou a modificação do relacionamento com pais/mães)

 

Progressiva separação dos pais/mães + Capacidade crescente de decidir + Segurança em si mesmo/a

 

A forma como estas tarefas se desenvolvem depende, em grande medida, do tipo de relacionamento afetivo que existe entre o/a adolescente e os seus pais/mães, relacionamento criado desde a infância, e de que forma a família está capaz de se modificar ao longo das etapas do ciclo da vida.

 

Verifique como se sente em relação às seguintes tarefas desta fase da vida:

  • Mudança na relação pais/mães-filhos/as de forma a permitir a autonomia do/a adolescente.
    • Estão a ser capazes de redefinir as fronteiras entre os sistemas parental e filial?

 

Trata-se de deixar de corrigir sempre os atos do/a adolescente, mesmo sabendo que ele/a pode estar a fazer mal – deixá-lo/a “errar um pouco”, de forma controlada, para aprender.

 

Por outro lado, trata-se de tornar claros os limites de espaço pessoal.

 

É essencial respeitar a privacidade de todos em casa, incluindo do/a adolescente. A tentação de pegar no telemóvel do/a adolescente para ver o que anda a conversar com os amigos pode ser paga com a perda total de confiança dele/a em si. O que fazer perante a angústia de “não saber”? Confiar. Da mesma forma que pede que o/a seu/sua filho/a confie em si.

  • Conseguem ter progressivamente uma maior flexibilização das regras familiares?

 

É importante ser coerente nas regras, especialmente entre pai e mãe – têm que ser uma equipa! O/a adolescente vai tentar com pai e com mãe, individualmente, a resposta que espera, podendo até manipular a informação. Quem já não fez isso…? Mas é preciso também flexibilizar as regras. Por exemplo, ao fim de semana o/a adolescente pode deitar-se mais tarde, se o desejar. E, se queremos que o/a adolescente não use telemóvel à mesa ou nos convívios de família, não esquecer que também nós devemos evitar fazê-lo…

  • Têm tido mais tempo afetivo para o casal?

 

Com o/a adolescente a querer fazer coisas com os amigos e menos com os pais/mães, o casal começa a olhar-se mais, a perceber que em breve voltarão a ser “só os dois”. O que significa isso, “só os dois”? Chega? Ou é por isso que queremos, a todo o custo, que o/a adolescente saia connosco no domingo à tarde?

  • Há novas áreas de interesse, geralmente para atividades fora de casa?

 

As famílias devem apostar nestas atividades nesta altura pois promovem alternativas ao tempo passado em casa, propício ao uso excessivo do telemóvel e da internet.

O jovem quer conseguir tudo; aos pais/mães compete ajudar a refrear; da negociação resulta a dose certa, o q.b. para a modificação necessária.

 

Tarefas da Família da Adolescência – Diz-me com quem andas…

(Ou mudanças no relacionamento com o grupo de amigos/as)

 

Se um/a adolescente fica em casa, só sai para dar “a volta dos tristes”, e não refere amizades, então podemos estar perante um problema. O relacionamento com os amigos está estreitamente ligado com a progressiva independência face à família. São os amigos/as que dão informação útil sobre o que é esperado, sobre o que já experimentarem e como correu. É uma validação, e daí vêm os rituais.

 

Aos pais/mães cabe aceitar e respeitar as amizades, evitando comentários sobre aparências ou estilos de vestir, por exemplo, demostrando interesse pelas novas amizades. É importante trazer para casa os amigos dos/as filhos/as, dar-lhes espaço, mas ao mesmo tempo sentirem que há “adultos no quarto ao lado”.

 

Mostrar interesse e aceitar o grupo de amigos não significa, porém, permissividade. Desde cedo é preciso definir as regras familiares com uma negociação laboriosa! É preciso negociar as saídas à noite, a hora de regressar, a semanada, os gastos, os horários dos estudos, o fim de semana em casa dos amigos, a noite de fim de ano, …

 

Na adolescência é preciso falar sobre tudo! Mas não force o/a seu/sua filho/a a falar…

 

O grupo adolescente desempenha uma função de promover o crescimento individual e de permanente aglutinador e protetor face a uma ameaça externa – aquele amigo que faz parte deste grupo é para ser protegido!

 

O gosto pela música intensifica-se na maior parte dos casos e muitas vezes é a principal marca de entrada na adolescência. O adolescente de 12/13-15 anos prefere ficar fechado no quarto a ouvir a sua música, recheando as paredes de posters. Há o primeiro cigarro, uma insónia passageira, os telefonemas mais prolongados, um aumento de agressividade, comportamentos desajeitados com evidente falta de coordenação e de integração do novo esquema corporal (é impressionante a forma como a maior parte dos corpos muda na adolescência!). Quando são passageiros estes comportamentos são naturais. É a sua persistência ao longo do tempo, a sua bizarria (estranheza) que os tornam preocupantes.

 

Numa segunda fase da adolescência (15-17/18) começam outros comportamentos como abandono do refrigerante para escolher o álcool (primeiro experimentado em grupo nas saídas e depois timidamente ousada em frente aos pais/mães), a exigência por roupa determinada – importante fator de integração grupal – o entrar e sair constantemente de atividades nos tempos livres como forma de experimentar coisas novas, as primeiras experiências de envolvimento sexual/afetivo. Pode acontecer a aproximação a um amigo do mesmo sexo, confidente com grande proximidade, o que por vezes é visto pelos pais/mães como uma possível homossexualidade. Pode, de facto ser o início ou ser só uma fase, algo que não tem caracter permanente. Seja como for, é uma experimentação muito importante para o desenvolvimento. A vida não tem que ser a preto ou branco.

 

Na terceira fase da adolescência (18-20) o grupo perde a importância que tinha até então e podemos mesmo afirmar que o seu abandono marca a entrada na idade adulta.

 

O ritual da ida a concertos marca um importante passo no sentido da autonomia. Vai desde a preparação dias antes, ansiando a permissão dos pais/mães, até ao dia da partida em grupo, a possível falta necessária às aulas para a viagem (se o local do concerto é longe), a partilha do momento intenso do concerto, o chegar tarde, o cantar em conjunto as músicas. Que fazer?

  • Combinar horários, evitar excessos, estar atentos à evolução dos movimentos no interior do grupo, convidar de vez em quando os amigos lá para casa, fazer se possível, refeições em conjunto com amigos sem impor presença, assistir um jogo de futebol onde o grupo entre, comentar sábado (à tarde…) a ida à discoteca na sexta à noite.
  • Respeitar o dito e o não dito!
  • Mas não hesitar em ser firme se for necessário chamar a atenção para comportamentos desadequados. Os/As adolescentes testam sucessivamente a capacidade de liderança dos pais/mães e os limites deles. Há que ouvir com calma, ser líder sem autoritarismo, e fazer ver que pais/mães e filhos não têm que ter a mesma visão do mundo. Nem os pais/mães têm que adorar as músicas PopRock nem o adolescente tem que achar piada à música de Mozart ou de Toni Carreira. Há um meio termo a atingir. É necessário respeito mútuo e possibilidade de trocar experiências.

 

Tarefas da Família da Adolescência – Quem sou Eu?

(ou modificação da relação com o Corpo – a definição da identidade)

 

Para esta tarefa é importante o abandono da relação de dependência infantil face aos pais/mães, a evolução do grupo (descrita antes), e as sucessivas experiências de envolvimento afetivo/sexual.

 

O corpo do/a adolescente é o espelho do seu íntimo. Há que olhar para o corpo do/a seu/sua adolescente antes de emitir qualquer opinião sobre ele e seu comportamento. Um corpo mostrado com à-vontade, mas sem exibicionismo, quase sempre revela uma evolução positiva.

 

Há mudanças várias no/a adolescente. A saber, as seguintes:

  • Mudanças corporais que constituem, de alguma forma, o ponto de partida para as mudanças posteriores a vários níveis. O corpo começa por ser o palco do foco das mudanças e das preocupações. Não quer dizer que seja só o corpo a preocupação. É só o mais evidente porque é o que nos “apresenta como pessoa”.
  • Na adolescência começa a haver uma consciência das próprias mudanças. Somos capazes de pensar sobre o que pensamentos. E passamos muito tempo nisso! Por exemplo, um bebé passa por mudança intensas nos primeiros meses, mas não tem consciência dessas mudanças – o/a adolescente já consegue pensar sobre si mesmo.
  • A maturidade sexual é mais evidente, organicamente falando, com o aparecimento de características físicas próprias de cada género. Então começa a haver um reforço da construção da identidade sexual e da identidade de género – masculino/feminino/o que fizer mais sentido a cada momento.
  • Há um trabalho mais intenso de construção de identidade – identidade como conceito que agrega a integração do passado, presente e futuro – a par do desenvolvimento do sentimento de confiança e controlo sobre a própria vida.
  • A relação com amigos/as das mesmas idades é nesta fase especialmente importante pois são estes amigos/as que sabem como é que o/a adolescente se sente, mais ninguém. Os amigos são como espelhos para o/a adolescente ver o que acontece quando os outros experimentam.
  • A noção de tempo começa a mudar também – há a capacidade de se ver no futuro e é-lhe pedido também que tome decisões importantes – escolha de área na escola no 10º ano, … É mais evidente a construção do projeto de vida pois é-lhe pedido que tome decisões.
  • Transformação da natureza do relacionamento com os pais/mães – figuras de vinculação e de autoridade – no sentido de o adolescente assumir maior autonomia.
  • Construção mais clara de uma cidadania – começa a ser claro que faz parte de uma sociedade, um grupo.
  • Preparação para o estabelecimento de relações afetivas saudáveis – namoro, amizades fortes, criação de uma família no futuro.

 

A par de tudo isto, há o desenvolvimento de novas aptidões intelectuais, ou seja, o cérebro do/a adolescente também está em mudança.

 

O cérebro de um/a adolescente parece ter dificuldades em discernir o impacto que o seu comportamento e sua forma de comunicação têm nas outras pessoas. Com o córtex pré-frontal ainda por maturar completamente, o/a adolescente não terá a mesma capacidade para reagir de forma controlada perante uma crítica ou castigo o que pode explicar a sua reação “exagerada” em situação de maior tensão emocional.

 

Há mudança na capacidade de introspeção (olhar para dentro, pensar sobre o pensamento próprio) e na abstração (pensar hipoteticamente, “o que poderá resultar de…?” e não apenas com base em informações concretas). Diz-se que o/a adolescente passa a ter um pensamento Operatório Formal caracterizado por:

  • O/A adolescente começa a pensar no possível (hipotético) e não apenas no “real” e observável.
  • O/A adolescente consegue agora diferenciar forma e conteúdo, isto é, consegue entender conceitos como probabilidades.
  • Surgem fenómenos de pensamento como a audiência imaginária (“estão todos a olhar para mim!” – antecipação do que os outros estão a pensar e isso pode significar que os outros o/a admiram ou o criticam) ou fantasia pessoal de que ninguém no mundo pode compreender como “eu” me sinto (os sentimentos e as necessidades pessoais são únicas e especiais e estão para além da compreensão do Outro, incluindo dos pais/mães!, embora o/a adolescente sinta que os amigos compreendem mais ou menos o que ele/a sente).

 

Resumindo: Quem é que já não sentiu um pouco, ou muito, do que está descrito acima? Talvez alguns/algumas de nós ainda sinta, muitas vezes, que o mundo é algo que ainda não entendemos bem.

 

Temos as mudanças principais e as tarefas mais relevantes que a família encara nesta fase. Mas agora, o que podemos pais/mães fazer perante o/a adolescente quando não o compreendem? Talvez ajude ler a seguir.

 

Tenho um/a Adolescente em casa. E agora?

Como podem pais/mães agir perante o adolescente

 

Ao contrário da infância, na adolescência há que explicar, contextualizar e negociar!

 

Educar na adolescência é um trabalho quotidiano de amor firme e de persistência tranquila. Pais/Mães têm que caminhar passo a passo, no meio das suas dúvidas, erros e inseguranças.

 

Nesta nova era digital, em que tudo acontece com uma rapidez alucinante, a primeira questão importante: Quem está a ser pai/mãe do/a seu/sua filho/a? Você, a internet, o grupo de amigos?

 

É certo que, hoje em dia, os/as adolescentes estão constantemente em contacto com informação de todo o mundo, ao segundo, e que as figuras de influência estão à distância de um clique. Pais/Mães podem sentir isto como uma perda da sua própria capacidade para influenciar os/as filhos/as, enquanto figuras de referência que foram até ali. Mas a verdade é que pais/mães continuam a ser os que construíram uma relação ao longo dos anos e que, pelo menos à partida, estão em melhores condições para influenciar os/as filhos/as.

 

Os princípios que lhes passaram na educação não são postos de lado, estão a ser testados e maturados, e na maior parte dos casos, são aplicados no futuro. Para tal é preciso manter em casa uma atmosfera de respeito mútuo, desde a infância. Aquilo que não se construiu na infância dá muito trabalho a edificar na adolescência. Não é impossível construir uma relação de respeito mútuo a iniciar na adolescência, apenas leva mais tempo, gasta-se mais energia…

 

Na adolescência há que promover a iniciativa, o respeito recíproco e o autocontrolo, mas agora é observando à distância e sugerindo mais do que mandando. Se houver autoridade excessiva há o risco de o adolescente fazer exatamente o oposto.

 

Firme Amor Parental + Parentalidade Construtiva

 

Que tem impacto nas gerações seguintes! Provavelmente, o/a seu/sua filho/a adolescente vai replicar o que viveu consigo. Por outro lado, olhe para si mesmo, para a sua forma de estar com o/a seu/sua filho/a adolescente… será que está a replicar o comportamento dos seus pais/mães consigo? Talvez seja importante avaliar se segue as seguintes sugestões:

Disciplina sem autoritarismo (mas com autoridade adequada à idade dos filhos)

Calor afetivo e envolvimento por parte dos pais/mães

Controlo parental efetivo.

 

Embora as regras e rotina sejam importantes, a flexibilidade é uma regra de ouro na educação dos adolescentes! No fim de semana é possível relaxar…

 

E durante a semana, é preciso perceber o que representa aquele momento em que o/a adolescente chega a casa e corre para a internet ou para o jogo antes de fazer os trabalhos de casa ou tarefas em casa. Pode ser apenas um breve momento de descontração, uma pausa descontraída, que não faz mal a ninguém! O ralhete constante é a pior estratégia para acabar com estes momentos. Quando os pais/mães estão em casa com o adolescente ao fim da tarde é melhor que não façam muitas perguntas – evitar ralhar constantemente.

  • Na interação com os/as adolescentes é preciso aproveitar os momentos. Depois da escola é bom dar-lhe algum tempo livre antes de começar a fazer recomendações ou perguntas. Se a pausa se prolonga em excesso há que intervir, mas só então.
  • Insistir em falar com um/a adolescente quando este não está disponível para falar não é boa prática (e o mesmo é válido para os pais/mães, os/as filhos/as têm que perceber quando não é boa hora para falar!).
  • O momento da refeição pode ser um espaço interessante para partilhar o dia, para lançar debates interessantes, para refletir sobre temas atuais, … E mesmo que haja a necessidade absoluta do/a adolescente estar na internet ou a falar com amigos, é possível instituir a regra de que à mesa não se usa telemóvel (pais/mães incluídos…) mas o tempo passado à mesa não poderá ser gasto a interrogar o adolescente sobre a escola ou ele/a próprio/a! Será um tempo para se olharem, tranquilamente, sem plano prévio, mas com interesse genuíno no que cada um/a tem para dizer.
  • Outro bom momento é a hora de deitar. No caso dos/as adolescentes a negociação assume destaque neste momento, com o/a jovem a tentar esticar o mais possível a hora de dormir. Seja em que idade for, é preciso dar atenção especial à hora de deitar, à despedida para o dia seguinte. Se o telemóvel fica no quarto porque o/a adolescente quer falar com amigos e namorado/a antes de dormir, há que negociar a hora de apagar a luz e avisar o/a filho/a com dois toques na porta à hora combinada. Nada de discussões… discutir à noite perturba o sono de todos. Se na infância a criança adquiriu o hábito de ir para a cama à hora habitual sem discussões, é provável que o/a adolescente siga essa regra sem grande alarido. Perante o argumento “todos os meus amigos se deitam tarde!”, há que explicar que cada casa tem as suas regras e que nessa casa a regra é essa. Sugere-se combinar a hora de deitar durante o período de aulas e deixar todos à vontade no tempo de férias.
  • Organizar a família em torno de momentos chave pode ser útil – pequeno almoço, fim de tarde, jantar e hora de deitar. Não têm que ser interações prolongadas, têm que ser de qualidade.
  • A conversa formal entre pais/mães e filhos típica da juventude dos avós dos/as adolescentes de hoje tem que ceder o lugar aos diálogos de pequena duração, tantas vezes imprevistos e improváveis, mas que podem ser carregados de significado (na fila do supermercado, no cinema antes de começar o filme, no caminho de regresso a casa depois da escola, …). E porque não usar de forma divertida a internet para comunicar? (partilhar uma fotografia de algo divertido que depois dê para reflexão ao jantar, …)

 

Breves notas sobre regras de ouro na utilização da internet, ensinadas desde a infância

  • Não revelar dados pessoais a estranhos
  • Não partilhar informação e imagens íntimas
  • Estar atento aos predadores.
  • Evitar a utilização excessiva da internet.

 

Nota: Cuidado com a forma como o pai/mãe usam a internet e a exposição de informação que pode ser sensível. Partilhar fotos da festa de 16 anos da adolescente pode tornar-se um motivo para que seja gozada na escola.

 

Usar a internet como veículo de promover a autoria – Adolescente como Autor/a

 

É agora possível desenhar convites, organizar festes e eventos, publicar textos e poemas online, divulgar as suas músicas no Youtube – É uma forma fantástica de exprimir a sua criatividade! Quem vê a sua música a ser discutida na internet ou o seu poema a ser elogiado, fica mais rico/a e autónomo/a. Criatividade e autonomia do/a adolescente já não tem apenas palco na família e na escola – estende-se também à internet, que importa que use de forma ética e responsável.

 

É preciso que os pais/mães desmistifiquem os fantasmas que têm sobre a utilização da internet. A internet permite uma fantástica oportunidade de comunicação familiar:

  • Comunicação de imagem com filhos e avós;
  • Ver no youtube uma música criada pelo/a seu/sua filho/a;
  • Ter um livro de poemas editado online por um/a filho/a;
  • Planear com o/a adolescente uma viagem em família na qual ele/a mostra os percursos a fazer e os sítios onde vão ficar hospedados;
  • Ajudar os/as filhos/as a utilizar informação relevante na internet evitando o plágio.

 

A internet é um lugar de encontro entre gerações, ambas sem perderem as suas características, assimilando o que cada uma tem de melhor.

Sobretudo, há que valorizar cada vez mais os momentos de partilha, divertidos, de conversa, de atividades em conjunto. Apoiar. Saber passar para o banco de trás quando o adolescente está capaz de conduzir ele o carro.

 

Cláudia Andrade – Psicóloga e Directora Clínica WeCareOn

 

Para este artigo foi realizada uma pesquisa que inclui as referências seguintes:

Vozes e ruídos – Diálogos com adolescentes, Daniel Sampaio, 1993

Do telemóvel para o mundo, Daniel Sampaio, 2018

Child Development – Its Nature and course, Sroufe, Cooper & Dehart, 1996