Em algum momento das suas jornadas, muitos dos meus clientes – especialmente os de alto desempenho e trabalho árduo que “fazem e acontecem” – experimentam um ponto de exaustão no trabalho.

 

A verdade é que “funcionarmos” bem não é tão simples quando uma pessoa está sobrecarregada, não concorda?

 

Pode parecer disparate: afinal, porque é que você deixaria uma lista de tarefas “tomar de assalto” o seu cérebro? A resposta a esta questão é muito simples: o seu cérebro não vê apenas uma lista de tarefas, ele vê a ameaça da escassez: tempo insuficiente, energia insuficiente, recursos, capacidades insuficientes para ajustar tudo em 24 horas. Ou então também vê a ameaça de fracassar, de errar, a ameaça de decepcionar os outros, a ameaça de sentir que você não está a fazer o suficiente ou que pode nem sequer dar conta de fazer, etc.

 

Consequência? Reagimos a esses sentimentos da mesma maneira que o fazemos com outras ameaças: lutar, fugir ou paralisar. Para a parte responsável por este mecanismo dentro do nosso cérebro, tanto faz se a ameaça é um mamute a vir na nossa direcção ou uma lista de tarefas que nos fazem sentir que estamos desprotegidos e que não conseguiremos lidar.

 

Normalmente, pousamos em algum lugar entre o ‘congelamento’, a paralisia e a fuga, fenómeno esse que nos tempos actuais recebe o pomposo nome de “procrastinação”. Mas nem toda a procrastinação parece a mesma. Ele pode assumir formas mais ou menos produtivas, como percorrer “perfis” de pessoas compulsivamente nas redes sociais, a fazer tarefas que realmente não importam, como comprar outra “novidade” online ou percorrer o Twitter. De novo.

 

Então, o que você deve fazer se estiver sobrecarregado(a), paralisado(a) ou tender a procrastinar? Existem várias estratégias, mas hoje partilho consigo uma delas. Bom, talvez depois de levantar-se, esticar as pernas, dar um passeio, respirar fundo e tentar abordar os desafios com um pinguinho de gratidão, tente esta dica.

 

Aterre-se no presente utilizando a técnica “5-4-3-2-1”

 

Esta é uma das minhas técnicas favoritas de atenção plena. Não requer espaços ou ferramentas especiais – tudo o que você precisa são os seus cinco sentidos. Veja como percorrer o caminho deles para um “aterramento instantâneo”:

 

5⃣ – Olhe em volta e mencione cinco coisas que você pode ver, agora, de onde você está.

4⃣ – Ouça e mencione quatro coisas que você pode ouvir.

3⃣ – Observe três coisas que você pode tocar, como as páginas de um livro perto de si ou a sensação de sentir os seus pés no tapete.

2⃣ – Em seguida, dois cheiros: inspire as páginas de um livro ou o aroma cítrico da vela que você acendeu.

1⃣ – Finalmente, mencione algo que você pode provar: um trago de água servirá, ou mesmo apenas o gosto da sua própria boca.

 

Isso não apenas contribui para uma, mas para duas coisas para interromper a sobrecarga.

 

Primeiro, esta técnica sustenta-o nos seus próprios sentidos e, mais importante, no “seu” momento presente. Segundo, acompanha o efeito da contagem e abre dentro de si caminhos através dos sentidos que permitam interromper os pensamentos “em círculo” ou ruminantes.

 

É um mini momento de atenção plena para o(a) tirar/separar de dentro da (sua própria) briga.

 

Sara Ferreira – Psicóloga, Psicoterapeuta, Membro Efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses