Inúmeras vezes o paciente procura um Psicólogo/ Psicoterapeuta por uma queixa emocional e no decorrer da psicoterapia, e com alguma admiração diz que desde que começou a sua jornada de autoconhecimento, deixou a medicação para as alergias ou para as dores de costas, e que raramente fica doente. sentir

 

Frequentemente quando a mente não sente, não pensa, o corpo fala…

Quero com isto falar um pouco de somatização, ou seja, da influência psicológica no adoecer somático.

São algumas as doenças psicossomáticas, que mais se manifestam. Como afirma Marco da Silva (2000) as doenças clássicas, em maior prevalência são:  úlcera, bronquite asmáticas, hipertensão arterial, enxaqueca e a artrite reumatoide.

Uma das maiores causas para isso suceder é a incapacidade da pessoa de expressar e transmitir emoções e sentimentos.

Chamo a atenção para o facto de todos nós somatizarmos, umas vezes mais, outras menos, com maior ou menor intensidade. Um exemplo disso é que quando estamos nervosos, as nossas mãos começam a transpirar, o coração a palpitar, ou as dores de cabeça que nos assombram quando algo nos preocupa excessivamente. Isso são pequenos exemplos, pois em certas pessoas pode tomar grandes proporções.

 

 

Marco da Silva (2000) apresenta os distúrbios psicossomáticos mais comuns.

  • Distúrbios respiratórios: asma, rinite, febre dos fenos;
  • Distúrbios do aparelho digestivo: úlcera, doenças do cólon;
  • Doenças de pele;
  • Doenças das articulações e musculares: artrite reumatoide, fribrosite;
  • Distúrbios endócrinos: hipertiroidismo, diabetes;
  • Doenças cardiovasculares: hipertensão arterial, doença das artérias coronárias, acidentes vasculares cerebrais, enxaquecas;
  • Distúrbios do aparelho reprodutor feminino: ausência de menstruação ou menstruação escassa, cólicas menstruais, tensão pré-menstrual, perturbação da menopausa.

 

É importante salientar que, estas patologias podem desenvolver-se a partir de um estado de sofrimento ou desassossego interior, mas é importante tratá-las primeiramente como uma doença física. A psicoterapia poderá servir para descobrir a origem desse sofrimento interior e ao trabalhar nas sessões os diversos bloqueios, melhorar a qualidade de vida do paciente e em alguns casos a doença entrar em remissão.

 

O significado simbólico da dor, a dor é um sintoma e como todos os sintomas representa algo, ou seja, acarreta uma componente simbólica que transcende a uma mera relação de causa e efeito.

 

De seguida irei relatar genericamente algumas características dos pacientes que desenvolvem algumas destas patologias. Tais como: Artrite reumatoide; Enxaqueca e Doenças alérgicas e da pele:

 

  • Artrite Reumatoide – é uma doença que atinge as articulações e os músculos vizinhos. No seu perfil psicológico os pacientes tendem a ter uma agressividade latente, e a controlar o meio que os cerca. Têm um gosto pela autoridade e moralidade.

 

Marco da Silva (2000), apresenta algumas características daqueles que sofrem desta doença. São elas:

  • Maioria mulheres;
  • Perfeccionistas e cheios de moralidade;
  • Espírito de sacrifício;
  • Tendência para a atividade física, são trabalhadores e/ou grandes desportistas;
  • Apresentam alguma dificuldade em estabelecer relações satisfatórias com pessoas próximas;
  • Dificuldade em expressar emoções;
  • Enxaqueca – é provavelmente a queixa mais habitual que, aparece em consultório. As dores de cabeça estão associadas e tal como a expressão o diz “Dor de Cabeça” a algum aborrecimento ou problema.

 

Quando excluídas causas orgânicas, as enxaquecas podem estar associadas a relações pouco satisfatórias, consigo mesmo ou com os outros. A ansiedade e/ou depressão também podem ser uma causa. Em alguns casos, a dor de cabeça pode mascarar uma depressão.

A enxaqueca em muitos dos casos pode estar relacionada com a falta de expressão de emoções e conflitos não resolvidos.

  • Doenças alérgicas – A asma, a rinite, as dermatites também “guardam íntima relação com as emoções” (Silva, 2000, p.181). Geralmente, segundo o autor, quem apresenta estas doenças costuma ter uma relação conflituosa com uma figura materna pouco amorosa, controladora e dominadora.

A pele é o que mantém contacto com o exterior, então é muitas vezes utilizada por expressar emoções que a pessoa não expressa verbalmente.

 

 

Marco da Silva (2000), no seu livro “Quem Ama Não Adoece” refere três distúrbios da pele que associa com estados psicológicos:

  • Suor em demasia – exprime geralmente um estado de ansiedade;
  • O Corar – geralmente aparece em pessoas que temem mostrar os seus sentimentos, então exprimem de forma involuntária;
  • A palidez – normalmente exprime sofrimento.

Geralmente as pessoas que apresentam estas características, foram    muito superprotegidas na sua infância.

É importante ouvir o que o seu corpo lhe tenta dizer. São muitos os casos que encontro nas consultas, em que o organismo leva anos a dar sinais, com alguma dor, doença.  Muitas vezes estes pacientes recorrem a muitos médicos e nada resolve a sua patologia, até que certo dia, o corpo cansado de dar sinais e de não ser escutado, pois geralmente procura uma mudança de conduta, mudança de comportamento, ou alguma ponderação na sua vida (mudança ainda inconsciente para a pessoa, mas consciente para o organismo). Podem ser inúmeras as causas, e quando o corpo cansado chega ao limite, podem aparecer os sintomas psicológicos, tais como ansiedade, depressão, fobias…

A Psicoterapia é uma intervenção adequada (não descuidando os cuidados médico primários) pois promove o autoconhecimento, ajuda a pensar e a sentir, a exprimir … a decifrar o sentir do corpo e dar-lhe voz. sentir sentir sentir

 

Termino com uma frase do livro “Quem Ama Não Adoece” : “(…)quem não foi amado de forma adequada e/ou insuficiente frequentemente não consegue amar. Não amando, será infeliz e o corpo, adoecendo, será o palco para dar vazão e comunicar aos outros o seu sofrimento” (Silva, 2000, p.184).

 

(Silva, M. (2000). Quem Ama Não Adoece. Pergaminho

 

*Artigo de opinião – Psicóloga e Psicoterapeuta Vilma Ribeiros

 

Entra em contacto comigo!

 

Vilma Ribeiros –  Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta @ WeCareOn