Os grupos terapêuticos ou a terapia de grupo, são uma forma de terapia, em que os elementos que compõem o grupo partilham uma determinada dificuldade, problema de saúde, ou questão que queiram resolver e experimentam em conjunto um processo terapêutico.

 

O ser humano é um ser naturalmente social, como tal, os grupos sempre fizeram parte da vida do indivíduo desde o seu nascimento. Podemos ver a família como um grupo, os amigos, a escola, o trabalho etc…

 

Os grupos são fundamentais para que a sociedade apresente um funcionamento saudável em todos os âmbitos, psíquico, social e espiritual. Daí que este seja um tema importante para a psicologia.

 

Os grupos são um espaço seguro para os seus participantes poderem ser eles mesmos sem terem que corresponder às expetativas dos outros e só isso pode ser incrível de vivenciar.

 

Para que os grupos se formem é necessário que exista a interação entre as pessoas para estas se influenciem reciprocamente na procura de um bem comum, pode ser tão simples como procurar bem estar na vida, e tudo isto contribui para que exista uma coesão entre os seus participantes.

 

Nos grupos trabalha-se a coesão, a interação, o processo do grupo e a mudança.

 

 

Existem inúmeros grupos terapêuticos, estes podem ser essencialmente de carácter preventivo, tratamento ou reabilitação. Temos por exemplo terapia de grupo com aditos, terapia de suporte (luto, etc), reabilitação, cuidados primários de saúde, sobrevivência social, área psiquiátrica e área médica em geral.

Os grupos podem acontecer de forma isolada ou em complemento com a terapia individual.

 

Quais são os fatores terapêuticos na terapia de grupo?

Segundo o autor Irvin Yalom, um psiquiatra existencialista americano, existem 11 fatores terapêuticos no processo de terapia de grupo, são eles a instilação de esperança, há uma esperança de que algo pode mudar ou melhorar. A universalidade é um outro fator terapêutico que se refere ao facto de tu poderes sentir que estás no mesmo barco que os outros, sendo que estes outros também têm situações, problemas, preocupações semelhantes aos teus, o outro fator terapêutico relaciona-se com a partilha de informações, existe partilha de informações entre os membros do grupo e com o facilitador/a. Este atua como um facilitador do processo grupal podendo atuar com aconselhamento e orientação acerca várias temas fazendo o grupo refletir também nas questões ou sendo mais interventivo ainda com atividades terapêuticas.

 

Outro fator é o altruísmo, ou seja, dar-se ao grupo, partilhar partes de si resultando num senso de utilidade. A recapitulação corretiva do grupo familiar primário também está presente, e significa que, por vezes, muitos participantes de grupos terapêuticos trazem consigo histórias insatisfatórias do seu grupo familiar primário, os grupos terapêuticos têm muitas semelhanças com a família, pois há participantes onde reconhecemos o nosso pai/mãe, irmãos, etc e pode-se interagir com os membros da mesma forma o que pode fazer surgir naturalmente memórias e assim ganhar consciência e poder fazer mudanças.

Existe também, de uma forma inerente ao desenrolar do grupo, um desenvolvimento de técnicas de socialização, uma vez que os participantes podem melhorar as suas habilidades como conversar, conviver, olhar nos olhos enquanto o outro fala, a escuta ativa, a empatia entre outros. No grupo pode-se estabelecer também o comportamento imitativo em que é possível os participantes modelarem os seus próprios comportamentos a partir dos comportamentos do/s facilitador/es e dos outros membros do gupo.

 

Tudo isto favorece uma aprendizagem interpessoal, outro fator terapêutico, que acontece entre facilitador e participantes, participantes e facilitador e entre os participantes demonstrando uma oportunidade de mudança, de compreender dificuldades e enfrentá-las e inclusive experimentar novos comportamentos.

 

A coesão grupal relaciona-se com aquilo que faz com que os participantes se mantenham no grupo e que existam condições de compreensão, aceitação, conforto, sentimento de pertença e afeto.

 

A catarse refere-se ao facto dos participantes se poderem sentir mais livres para expressar aquilo que querem. Por último, o décimo primeiro fator terapêutico no processo da terapia de grupo são os fatores existenciais que remetem para reflexões acerca de temas da existência humana como a liberdade, o isolamento, a injustiça, o vazio entre outros.

Claro está que para além destes fatores terapêuticos no processo da terapia de grupo existem princípios universais, são eles a confidencialidade através da máxima: o que é falado no grupo fica no grupo e o respeito, por aquilo que cada um diz, pensa e sente sendo que não é permitido qualquer tipo de violência.

 

É importante dizer que cada grupo é um grupo e cada pessoa é importante para o mesmo, todos fazem parte. Para quem sofre com uma perturbação isto é muito importante, por vezes é alguém que se tem sentido excluído, seja da família, da escola ou mesmo da sociedade. Por isso, é importante poder encontrar um grupo em que se pode identificar, pode partilhar sentimentos, dificuldades, desafios e simplesmente ser ele mesmo. Existem várias iniciativas de terapia de grupo para quem tem determinadas perturbações, seja em clínicas ou mesmo em hospitais psiquiátricos e associações.

 

Quais são os objetivos dos grupos?

O facto dos participantes se poderem identificar uns com os outros contribui para compreenderem que não estão sozinhos a lidar com o problema, e que em conjunto é possível conhecer e aprender estratégias que ajudem e favoreçam uma melhoria nos sintomas e no controle de impulsos em conjunto.

 

Segundo Bechelli e Santos, 2005, os grupos terapêuticos, especificamente referindo os grupos terapêuticos online, visam o acolhimento de problemas psicológicos em que os membros podem interagir entre si e o facilitador promove a tomada de consciência como catalisador ou facilitador resumindo o que foi dito ou fazendo uma interpretação de alguns movimentos inconscientes do grupo.

 

A coesão do grupo é promovida num ambiente seguro, de mútuo respeito, compreensão e aceitação dos aspetos emocionais (Bechelli e Santos, 2005).

 

Segundo Vinagradov & Yalom, 1992, a coesão do grupo favorece o sentido de pertença e de universalidade.

 

 

Que características são encontradas num grupo?

Num grupo é comum encontrarmos várias características como o vínculo afetivo; a tarefa ou objetivo comum; o contexto e o seguimento de regras, a partilha, a não violência, o respeito, a confidencialidade; a inserção dos membros entre si e do grupo como um todo; a preservação da identidade dos participantes; a coesão do grupo e o campo dinâmico do grupo: fantasias e idealizações, ansiedade, expetativas e mecanismos de defesa.

 

Quais as diferenças entre um grupo terapêutico presencial e um grupo online?

Essencialmente diferente é o facto de não haver contacto físico, por vezes após os grupos podem acontecer abraços por exemplo, e claro que podemos não compreender toda a linguagem corporal por estarmos a ver apenas o rosto da pessoa. Exceto estes fatores, tudo o resto é possível de ser experimentado e trabalhado tanto presencialmente como online.

 Quais são os benefícios de participar num grupo online?

  • Estás no teu lugar seguro, a tua casa, o que pode facilitar o teu processo, sobretudo para quem for mais introvertido e inibido;
  • Sentir que não estás sozinho/a a lidar com aquilo que te incomoda / entristece / sufoca
  • Abertura total para te poderes expor sabendo que é um ambiente seguro e de sigilo
  • Fazer um processo que além de tudo o mais é também um processo de auto descoberta e desenvolvimento pessoal
  • Aprender estratégias para gerir as tuas emoções e sintomas
  • Troca de experiências
  • Fortalecer relações interpessoais
  • Reconhecer as tuas características pessoais, do outro e do meio que te rodeia

 

 

O que te pode motivar a fazer parte de um grupo terapêutico online?

  • Em primeiro lugar, existir algo que para o qual sentes que precisas de ajuda, e ou já fazes acompanhamento individual e queres mais acompanhamento ou queres complementar com outro tipo de intervenção e conhecer pessoas que tenham os mesmos sintomas que tu, saber como fazem, como é para elas, etc,
  • Em segundo lugar, sentires que pode ser importante e necessário para o teu crescimento partilhar com outras pessoas e permitires-te ser compreendido/a, aceite, incluído/a.

 

 

O importante é analisares à luz de ti mesmo/a o que te faz sentido, o que te pode ajudar e caminhares rumo a isso mesmo/a.

Se precisas de ajuda, estamos aqui para ti!

 

Estou aqui para ti

Cátia Raposo– Psicóloga na WeCareOn

Referências:

Bechelli, L. P. C., & Santos, M. A. (2005). O terapeuta na psicoterapia de grupo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 13(2), 249-54. https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000200018

 

Vinogradov, S., & Yalom, I. D. (1992). Manual de psicoterapia de grupo (D. Batista, J. B. Fischmann, & G. B. Silva, Trads.). Artmed.

 

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902020000100006