A palavra Mindfulness é, de dia para dia, cada vez mais pronunciada pelas pessoas de todas as classes sociais. Os meios de comunicação, através dos programas de entretenimento tratam de a tornar familiar para quem tiver oportunidade de ver os programas generalistas da TV portuguesa.

 

Mas, o que quer mesmo dizer essa palavra inglesa, “mindfulness”?

 

Correndo o risco de sermos simples mas sempre rigorosos atrevemo-nos a afirmar que falar de Mindfulness é falar de dois aspectos diferentes. O primeiro é o Mindfulness Informal. Trata-se de uma filosofia de vida baseada na capacidade de nos disciplinarmos para estarmos realmente presentes em cada momento, cada actividade, cada relação da nossa vida, colocando nesse instante toda a nossa atenção (usando conscientemente os sentidos da visão, audição, tacto, olfacto, gosto). O segundo aspecto do conceito Mindfulness diz respeito à prática de Mindfulness formal ou dito de outra forma, trata-se da prática sistemática da meditação.

 

Mindfulness para todos ou mediatismo?

 

Agora, faria sentido explicar o porquê do interesse/curiosidade do público geral por esta temática. A raiz deste interesse tem base em conhecimentos científicos honestos e cada vez mais fundamentados. Sabemos que a investigação do Mindfulness pela comunidade científica começou em 1979, na Universidade de Massachutset com os trabalhos do médico psiquiatra Jon Kabat Zin. Este médico construiu um programa de redução de stress com base no Mindfulness e aplicou-o no tratamento de doentes com depressões, tratamento de ansiedade, doenças crónicas e usou-o em coadjuvação no tratamento de doenças oncológicas. Os resultados desse programa mostraram que os doentes que aprenderam e passaram a praticar regularmente Mindfulness tiveram menos recaídas, melhor regulação emocional, maior imunidade ao stress, melhor adesão aos tratamentos oncológicos e melhor qualidade de vida no geral.

 

 

Em Portugal, um pouco por todo o lado, vão surgindo cada vez mais iniciativas para dar a conhecer o Mindfulness através de palestras e programas experienciais mais ou menos estruturados onde o público geral tem a oportunidade de se informar sobre o conceito ou, caso tenha coragem, persistência e compromisso, aprender a dificílima arte de auto-regular as emoções com o Mindfulness. Desenganem-se todos os que esperam resultados rápidos e milagrosos. O Mindfulness exige tempo e dedicação mas uma vez interiorizada a técnica nunca mais se esquece e os benefícios irão superar as expectativas mais cépticas.

 

Os benefícios do mindfulness

 

Para quem tem curiosidade sobre os reais benefícios desta prática podemos sugerir um exercício muito simples de Mindfulness informal. Enquanto leitor desafie-se a si próprio neste exacto momento. Preste atenção consciente ao local onde está enquanto lê este texto.

Quais as cores dominantes do local onde se encontra?

O que visualiza?

Quais as formas dominante?

O que ouve?

Há silêncio?

Há ruídos característicos?

Há música?

E qual o cheiro/aroma que chega às suas narinas?

É perceptível?

Se sim, é um aroma familiar ou é novo, inesperado?

Foque-se nas sensações térmicas.

Conforme vai lendo estas palavras qual a temperatura do local onde se encontra?

É uma sensação térmica amena?

Sente frio?

Sente calor?

Ainda poderá ir mais longe na sua tomada de consciência do momento presente.

Preste atenção à postura do seu corpo.

Está de pé, está sentado, reclinado, deitado?

 

Provavelmente, depois de ter seguido estas orientações terá uma surpresa. É possível que constate nunca ter lido um texto na web com este foco na sua experiência concreta. De facto, este exercício não é mais do que uma materialização do mindfulness informal. Através dele é esperado que perceba o quanto qualquer actividade, por mais insignificante e corriqueira que lhe possa parecer, poderá revelar-se uma experiência bem mais enriquecedora e gratificante pelo simples facto de a ter realizado com atenção plena.

 

Mindfulness informal e formal

 

O mindfulness informal pode ser alargado a qualquer uma das suas actividades da vida diária. Poderá tomar o seu banho matinal numa atitude de mindfulness, o seu percurso habitual de casa para o trabalho poderá revelar-lhe diversas surpresas e descobertas desde que se permita encará-lo com uma mente de principiante.

 

A familiarização com o mindfulness formal ou meditação não é de todo uma experiência impenetrável. Pedimos-lhe que, neste exacto momento, se sente confortavelmente com uma postura correcta mas não tensa.

Imagine que existe um cordão que liga o topo do seu crânio ao tecto.

Agora, enquanto vai passando os olhos por este texto, limite-se a inspirar e a inspirar o ar e a tomar consciência da temperatura do mesmo nas suas narinas.

Aperceba-se das sensações que vai tendo no seu tórax conforme inspira e expira, naturalmente e sem qualquer esforço.

Repita este exercício durante um minuto.

A respiração é a base da meditação.

Num primeiro momento tudo o que lhe propomos é que gaste um minuto, não mais do que um minuto por dia para tomar consciência da forma como respira.

 

A prática do Mindfulness

 

A prática do Mindfulness é altamente preventiva de perturbações emocionais, evita o agravamento de patologias médicas altamente correlacionadas com a ansiedade (doenças auto-imunes, fibromialgia) e a sua prática está ao alcance de todos pois as exigências resumem-se a disponibilizar uns breves minutos do seu dia para estar  realmente presente nas actividades da sua vida e basta um minuto para tomar consciência do efeito tranquilizador da respiração em todo o seu corpo. Este é o ponto de partida.

 

Para aqueles que estão realmente motivados para atingir a mestria no Mindfulness recomendamos a prática de um programa de redução de stress baseado no Mindfulness pois sendo programas experiências têm a vantagem de facilitar uma aprendizagem personalizada e ao ritmo de cada pessoa. É uma aposta gratificante e na verdade, diz, quem já os frequentou: quando se aprende…nunca mais se esquece!

 

Minfulness para Todos 🙂

 

Sandra Sendas – Psicologa WeCareOn