O que é o Borderline?

 

Em Inglês o significado de Borderline, traduz-se na literatura portuguesa, como Estado – Limite, sendo uma Perturbação da Personalidade.

 

A Perturbação Estado Limite da Personalidade, é definida pelo padrão de instabilidade no relacionamento interpessoal, na sua autoimagem, afetos e impulsividade marcada. Esta perturbação geralmente, tem início na adolescência ou no jovem adulto. É estável ao longo do tempo, originando assim incapacidade e sofrimento profundo no indivíduo e nos restantes que, com ele convivem nos vários contextos em que está inserido.

 

O que se passa na cabeça de um Borderline?

Estes sujeitos fazem um esforço imensurável para evitar situações de abandono (em que sintam o abandono, não propriamente que estejam a ser abandonados). Podendo aqui incluir atitudes impulsivas como a automutilação ou mesmo tentativas de suicídio. Por isto, este abandono pode ser real ou imaginado, porque possivelmente já o viveram e têm medo de voltar a experienciar este sentimento.
A possibilidade de sentirem uma rejeição, separação ou perda de algo externo provoca nestes indivíduos alterações profundas quanto à sua auto imagem, afetos, cognição e até mesmo comportamentos. Vivem intensamente medos de abandono e uma raiva inapropriada face a breves separações, ou pequenas mudanças. Como por exemplo, o atraso de alguém que vinha ao seu encontro.

 

personalidade borderline famosos

Transtorno de Personalidade Borderline Relacionamentos

 

Na Perturbação Borderline da Personalidade, os sujeitos apresentam um padrão de relacionamentos instável e intenso. Como exemplo, podem idealizar potenciais amores num primeiro ou segundo encontro; exigem passar muito tempo com o/a companheiro/a e partilhar pormenores íntimos de forma muito precoce, numa sede insaciável de se sentir numa relação segura o que causa, muitas vezes, desconforto no outro.
Ao mesmo tempo e de forma infundada, podem alterar a idealização desta relação para a desvalorização. Ou seja, sentem que o outro não acarinha, não se entrega suficientemente. Se por um lado dão muito de si, chegando mesmo a enaltecer o outro que está na relação consigo, só o fazem para ter a sensação de que está lá quase como que, garantidamente, para dar resposta às suas necessidades e exigências emocionais.
Se por um lado, podem ser considerados como bons suportes emocionais numa relação, rapidamente podem passar a “punidores cruéis”. Esta alteração de comportamento, reflete a desilusão com base em experiências já vividas. Existiu uma idealização e de seguida, existiu também a rejeição e o abandono e é isto que o sujeito com perturbação Borderline espera, idealiza que vai acontecer.

 

 

Personalidade Borderline Características

 

Não só na relação com o outro, mas também na relação consigo próprios, estes sujeitos têm uma autoimagem muito instável. Ora se sobrevalorizam, ora se idealizam como desvalorizados o que compromete em muito a relação com os outros, aos níveis profissional, nas relações de amizade, com familiares e em relações amorosas.

 

 

A impulsividade nesta perturbação manifesta-se também em comportamentos destrutivos e/aditivos como o jogo, gasto de dinheiro de forma descontrolada, voracidade alimentar, abuso de substâncias, envolvimento em relações sexuais de risco ou conduzir de forma impulsiva e perigosa. Apresentam também ideação suicida recorrente, que muitas vezes é consumada. Todo este comportamento tem como base, o medo de separação, de perda ou rejeição. Na maioria dos casos, infundadas no presente, mas que foram vivenciadas por exemplo na infância.
A instabilidade afetiva, outra caraterística, deve-se a uma reatividade de humor excessiva, chegando à disforia do humor.
A raiva, é uma emoção sentida com frequência e muita intensidade sendo que, manifestam muita dificuldade em controlá-la. Para que isto aconteça, basta que o sujeito com esta perturbação sinta oposição, negligência ou abandono. Reage de forma agressiva ou até mesmo sarcástica verbalmente, sentindo-se culpabilizados no momento seguinte, pelo seu comportamento desadequado.
Quando efetivamente passam por uma situação real de abandono, podem ocorrer uma ideação paranoide transitória, que pode durar minutos ou dias.

 

 

 

Resumidamente e como critérios de diagnóstico, podemos enunciar seis itens que, permitem o mesmo:

 

1. O Padrão duradouro da experiência interna e respetivo comportamento que se desviam marcadamente da cultura em que o indivíduo está inserido e que é expresso nas seguintes áreas:

  • • Cognição – a forma como o individuo se perceciona e se interpreta a si próprio, aos outros e aos acontecimentos ao seu redor;
  • • Afetos – variam frequentemente quanto à sua intensidade, instabilidade e adequação da resposta emocional;
  • • Funcionamento interpessoal – caraterizado pelo conflito e vitimização;
  • • Controlo de Impulsos – raramente conseguem controlar impulsos, o que abrange todo o comportamento verbal e não-verbal, incluindo também a forma quase que “inesperada” (para as pessoas mais próximas), como tentam o suicídio.

 

2. Padrão inflexível de comportamento, duradouro na maioria as situações pessoais e sociais.

 

3. Sofrimento significativo do individuo, clinicamente comprovado e deficiência na vida social, profissional e familiar, muito devido à sua instabilidade emocional e dificuldade no controlo de impulsos.

 

4. Inicia-se na adolescência ou no início da fase adulta, com comportamentos estáveis no tempo.

 

5. A origem dos comportamentos não tem proveniência em fatores externos, sendo também excluída outro tipo de perturbação mental.

 

6. A fisiologia não se relaciona com o consumo de substâncias como estupefacientes ou toma inadequada de medicamentos. Também não há relação com o estado físico. Como por exemplo, a ocorrência de um traumatismo craniano.

 

Como Lidar com a Personalidade Borderline

 

Vou apresentar 4 dicas para conviver com a Perturbação Limite da Personalidade:

  1.  Procure informação, sobre a perturbação, junto de um técnico de saúde mental;
  2.  Seja empático mesmo nas situações mais difíceis. Esta perturbação causa um sofrimento imensurável ao sujeito que a tem;
  3.  Não leve julgamentos para o campo pessoal. Lembre-se que, a pessoa em questão está a reagir ao que sente e não à sua conduta;
  4.  Perceba os seus limites pessoais e não permita que a pessoa com esta perturbação os ultrapasse. É uma forma de se proteger!

 

Marisa Pereira – Psicóloga WeCareOn