No decorrer das ultimas décadas as investigações realizadas sobre o cérebro, e hemisférios cerebrais, confirmam a sua qualidade dual.

Galyean (1986) afirma que a teoria do cérebro direito e esquerdo (ou hemisférios cerebrais esquerdo e direito), está entre as que tiveram maior impacto nos actuais programas educativos. Investigadores como J. Bogen, R. Omstein, G. Sperry, H. Gordon e M. Gazzaniga descobriram que os hemisférios cerebrais tratam ou processam a informação de maneira diferente.

 

Hemisférios Cerebrais: Hemisfério Esquerdo e Direito

O hemisfério esquerdo seria o responsável pelas actividades racionais e analíticas como a linguagem, a escrita, a aritmética, o pensamento linear, a comunicação digital, os processos secundários da psicanálise, etc. Por sua vez, o hemisfério direito estaria ocupado pelas actividades sensoriais, emocionais e globais, como a intuição, a síntese, a compreensão da linguagem, da música, dos sonhos, dos gestos inconscientes, pela comunicação analógica e pelos processos primários da psicanálise.

Deste modo, o hemisfério esquerdo seria capaz de distinguir uma árvore de outra árvore, sem tentar ver o bosque, enquanto que o hemisfério direito veria o bosque mas não cada uma das suas árvores (Cayrol & Saint-Paul, 1984).

O hemisfério esquerdo seria como a formiga, que apenas vê todos os detalhes, um de cada vez, á medida que vai caminhando, enquanto que o hemisfério direito seria como a águia, que no seu voo observa todo o território num simples relance (Williams, 1984).

Contudo, actualmente os investigadores já tentaram superar esta teoria, incentivando a encontrar um modelo explicativo que, sem ser definitivo, sirva para explicar as novas descobertas dos hemisférios cerebrais.

Segundo Williams (1986), o hemisfério esquerdo interessa-se primordialmente pelos componentes, processando a informação em sequências, em série, seguindo um padrão temporal, descodificado por sinais acústicos (linguagem oral, matemática, noções musicais) e traduzindo-as em palavras depois de as ter analisado.

O hemisfério direito, por sua vez, estaria especializado no tratamento em simultâneo e analógico da informação. Estaria interessado primordialmente nos conjuntos e se dedicaria a integrar as partes para formar o todo. Investigaria as estruturas e as relações.

Este modo de tratamento da informação é especialmente eficaz para a maioria das tarefas visuais e espaciais, e também para o reconhecimento de melodias musicais.

 

Resumindo:

As funções associadas ao funcionamento do hemisfério direito, não estão necessariamente localizadas no respectivo hemisfério cerebral, mas antes, que representa certos tipos de processamento da informação que se acredita estar relacionados com o hemisfério direito.

Provavelmente as metáforas e as alegorias usadas em vários modelos terapêuticos, sejam as técnicas mais eficazes que activam o hemisfério direito, pois está directamente relacionado com o próprio processo de adquisição de conhecimento.

 

Num funcionamento mental “ótimo”, ambos os hemisférios cerebrais deveriam actuar intercalados e em estreita colaboração. Anatomicamente, a conexão existe através do corpo caloso.

 

O exemplo seguinte, citado também por Williams, mostra-nos que não pensamos com um ou outro hemisfério cerebral, mas que ambos intervêm conjuntamente no processo cognitivo: “O engenheiro Charles Duryea levava já muito tempo a lutar com um problema que parecia não ter solução – encontrar um sistema eficaz para introduzir o combustível dentro do motor do automóvel. Um certo dia no ano de 1891, ele estava a observar a sua esposa sentada em frente ao espelho, no seu quarto, quando esta decidiu perfumar-se usando um frasco com pulverizador (bastante habituais na época), mas até a esse exacto momento ele não relacionara o frasco com pulverizador ao seu problema. Contudo agora, e de forma instantânea, soube como poderia construir um carburador de injecção…”.

Neste exemplo, a imaginação interior e a metáfora que consiste em ver os pontos de ligação que une duas coisas muito diferentes, parece ser o mecanismo através do qual a consciência verbal (hemisfério esquerdo) adoptou uma criação da consciência não verbal (hemisfério direito).

 

Simples não é?!?

 

 

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Luís Coxo – Psicólogo @ WeCareOn