Vamos por partes: a palavra parentalidade é relativamente recente, há alguns anos nem tão pouco constava da nossa linguagem. Atualmente continua a causar alguma estranheza mas já a encontramos no dicionário: Substantivo feminino que significa 1) Qualidade do que é parental; 2) Estado ou condição de quem é pai ou mãe.

 

Já o termo consciente é comum a diferentes ciências. Na psicologia foi foco estudo de Freud que operou uma divisão topográfica da mente em três níveis mentais: consciente,  pré-consciente e inconsciente. O nível consciente refere-se a tudo aquilo que estamos conscientes no momento, no agora.

 

Então praticar uma parentalidade consciente quererá dizer que estamos em consciencia dos nossos atos, ou seja, sabemos por que fazemos o que fazemos. E muito embora tenha também a ver com a utilização de estratégias/ ferramentas educacionais diferentes do que encontramos na corrente mais tradicional, estas surgem principlmente de um questionamento interno feito pelos cuidadores, educadores e pais que a praticam e não de uma aplicação vazia.

A parentalidade consciente tem por base os princípios de mindfulness como a atenção plena no momento presente e o não julgamento. Nesta prática olhamos a criança como um todo e não apenas para o que é visível: o seu comportamento. Procura-se assim colocar o foco e a energia em compreender em vez de corrigir. Quando o fazemos vamos com certeza alcançar resultados mais consistentes e alinhados, não só com a nossa intenção como também com o bem maior da criança.

 

Atenção que não se trata de um caminho de uma parentalidade permissiva! Trata-se sim no entender, pela experiência, dos resultados indesejáveis alcançados pelo caminho mais tradicional. A punição, autoridade, castigo e o controlo são formas de manipular comportamentos que atraem a desconexão, a rebeldia e a dependência. Penso que o resultado que estávamos a alcançar e por nossa própria experiência  numa parentalidade que nunca tinha antes sido questionada, não corresponde de todo ao que pretendemos.

 

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A parentalidade consciente une a ciência ao amor e permite que novos e muito melhores resultados sejam alcançados. Há cada vez mais evidências de que o ciclo deverá ser quebrado e este é o melhor caminho para termos crianças a crescerem felizes e saudáveis e que mais tarde se tornarão adultos que funcionam, estão em equilíbrio e assim promovem uma sociedade sã.

 

Acredito que na vida tudo tem a ver sempre com nós mesmos. A parentalidade consciente abraça esta verdade ao propôr o foco no interior do adulto cuidador que está comprometido com o seu próprio desenvolvimento pessoal.

 

Por seu lado, a criança jamais será vista como um “ser pequeno” que não sabe e não é ouvido. Tão pouco como o centro de tudo ou um “pequeno ditador”. Há sim um equilíbrio onde o que prevalece é o igual valor. Esta abordagem vai permitir a presença de uma conexão mais profunda e capacidade de influência saudáveis.

 

Para romper com o paradigma instalado de uma parentalidade tradicional, proponho que inicie com as duas perguntas que considero as mais poderosas de todas: “porque é que faço o que faço?” e “qual é a minha intenção (como pai, mãe, educador)?”

 

A partir desta tomada de consciência estarão lançadas as premissas para um novo caminho onde, acredito, terá as maiores descobertas e recompensas que talvez jamais tivesse sonhado!

 

Convido-o (a)  a conversar comigo

 

Sofia Diogo – Psicóloga & Coach WeCareOn

 

Sofia Diogo