De um momento para o outro tivemos que nos adaptar a uma vida inteira dentro de quatro paredes. Os papéis foram muitos, desde ser professores dos filhos a ser peritos nas limpezas domésticas, gerindo um horário de trabalho no meio de todos esses papéis. Demorámos a adaptar-nos, mas, independentemente da vontade que temos de sair e de voltar a estar com quem mais gostamos, uma sensação de segurança também se instalou. Isto porque, ainda assim, sentimo-nos mais seguros dentro de casa, por sabermos que o risco de contágio é diminuto ou mesmo nulo.

 

Então, quando se aproxima a hora de voltar à nova normalidade, que é como quem diz, voltar a sair de casa e ir trabalhar, mas com uma série de limitações, a preocupação e o medo podem instalar-se e tornar esse regresso angustiante. O que nos pode passar pela cabeça?

 

  • – “E se eu ou outro colega estivermos infetados e infetarmos outros colegas?”
  • – “E se ficar infetado e trouxer o vírus para casa? Vou sentir-me culpado por prejudicar a minha família!”
  • – “Eu cumpro as normas de segurança, mas não sei se os meus colegas o fazem. Se não o fizeram, zango-me com eles? O que faço?”
  • – “Não tenho a certeza se é o mais seguro. E se volta a existir um pico de infetados e tivermos que voltar para casa?”
  • – “E se eu não me sentir bem no local de trabalho, o que faço?”
  • – “Vou ter muito mais tarefas agora quando regressar. Não vou conseguir gerir tudo!”

 

 

Este são apenas alguns exemplos de pensamentos recorrentes acerca do regresso ao trabalho. Repare como, mesmo perante pensamentos diferentes, o que predomina é o medo e a culpa. E sabe porquê? Porque nós, seres humanos, precisamos de sentir que temos as coisas sob controlo para nos sentirmos mais seguros. Ora neste caso, sendo a pandemia algo que foge ao nosso controlo, rapidamente antecipamos uma série de acontecimentos negativos. Assim, é importante seguirmos alguns princípios que podem ajudar-nos a sentirmos maior segurança e bem-estar no trabalho. São eles:

 

Foque-se no que controla, isso dá-lhe mais poder!

 

No meio de tudo isto, o que pode controlar? Adotar e manter hábitos de segurança (lavagem das mãos, uso da máscara, distanciamento social) e cuidar de si (alimentar-se bem, exercitar-se, etc.). Quando a sua mente for para aquilo que não controla, como, as atitudes dos outros, o vírus acabar, entre outros, aceite que não está no seu campo de controlo e continue a investir no que controla.

 

• Foque-se no que controla

 

Expresse as suas necessidades, defenda-se e dê sugestões

 

O que quer que sinta é válido. Por isso, se se sente desconfortável porque há um colega que está mais próximo ou porque o espaço onde está é demasiado pequeno para tanta gente, diga de forma calma como se sente e sugira alternativas. Neste momento todos estamos a tentar adaptar-nos e a fazer o melhor possível para nos protegermos uns aos outros, por isso, qualquer sugestão pode ser bem-vinda.

 

Invista em rotinas de higiene mental, isso vai diminuir o impacto do stress que sente

 

Às rotinas de higiene física já se habitou, verdade? E as de higiene mental? Que estamos num contexto que nos deixa a todos ansiosos, isso é verdade, mas existem uma série de comportamentos que podemos ter para gerir essa ansiedade e que criam mais escudos à nossa volta para que o stress não nos prejudique tanto. Exercício físico, alimentação equilibrada, qualidade do sono, atividades prazerosas, são alguns deles.

 

Respeite o seu ritmo

 

Tal como teve que se habituar ao teletrabalho, também agora precisa de se habituar ao trabalho no escritório. Embora seja aquilo que fez durante anos, a verdade é que agora se desabituou e existe uma nova normalidade que todos desconhecemos. Como tal, entenda que é normal levar o seu tempo até se sentir bem e adaptado à nova dinâmica no local de trabalho.

 

Lembre-se que sendo chefes ou colegas de trabalho, estão todos a passar pelo mesmo

 

Quando estamos mais preocupados ou zangados, e tudo isso é normal no contexto em que vivemos atualmente, por vezes tendemos a pensar que os outros nos querem prejudicar ou que não se interessam por nós. Então, vale a pena anotar que isso podem ser apenas pensamentos e não factos. E, por outro lado, que também os outros podem estar assustados e estão a tentar adaptar-se a esta nova realidade. As coisas más não têm que ter a ver consigo!

 

Escreva num papel as tarefas que tem em mãos e tente distribuí-las conforme a sua importância e urgência

 

Agora que regressa ao trabalho pode ter muitas coisas que ficaram por resolver e outras que entretanto chegaram ou vão chegando. Então, pode valer a pena seguir o critério do mapa de prioridades:

 

mapa de prioridades

Se há coisa que um momento mau como este trouxe foi maior compreensão, união e vontade de contribuir entre a maior parte de nós!

Então, lembre-se que não está sozinho e que pode pedir ajuda se necessário!

O futuro é incerto, mas é bom sentirmos que estamos a fazer o melhor possível agora, para no futuro ficar tudo o melhor possível também!

 

 

Inês Chiote Rodrigues – Psicóloga WeCareOn