A depressão é uma perturbação do estado anímico que poderá prolongar-se por semanas, meses ou até anos. Alguns sinais de depressão podem incluir uma vivência de intensa tristeza, angústia ou, pelo contrário, pode haver uma apatia e desinteresse por atividades que antes eram descritas como prazerosas. Pode também ser caraterizada por uma baixa autoestima. Qualquer pessoa, independentemente da sua idade, género ou estatuto social, pode vir a ter depressão.

 

Como identificar os sinais de depressão?


Quais os sinais a que deve estar atento(a)?

 

  1. Há queixa frequente de cansaço e indisposição;
  2. As atividades prazerosas passaram a ser vistas ou descritas como algo banal e desinteressante;
  3. Tem períodos longos de inatividade;
  4. Tende a isolar-se sem um motivo aparente;
  5. Aparenta estar, constantemente, triste;
  6. Irritabilidade frequente;
  7. Alterações no sono (i.e., dorme muito ou pouco);
  8. Mudanças a nível do apetite (i.e., come muito ou pouco);
  9. Queixas psicossomáticas (e.g., sensação de aperto no peito; dores de cabeça; problemas gástricos; tensão muscular e etc.);
  10. Perda de interesse pela atividade sexual;
  11. A vontade de participar nas reuniões de família, atividades sociais ou de conviver com pessoas mais próximas tem vindo a diminuir, levando a uma vida cada vez mais solitária, com contactos sociais restritos;
  12. Dificuldade de concentração;
  13.  Dificuldade de tomar decisões;
  14.  Sentimento de culpa (pode ou não ser constante);
  15.  Baixa autoestima (e.g., referir que não é bom/boa o suficiente, que não consegue ou que é inútil e não sabe fazer nada);
  16. Não investe tanto a nível do auto-cuidado (e.g., não tem os devidos cuidados de higiene);
  17. Há uma hipersensibilidade a qualquer estímulo externo e uma reação desproporcional ao acontecimento (e.g., chora quando pedem para corrigir algo no trabalho que efetuou);
  18. Fala em suicidar-se ou em “acabar com a vida” (i.e., diz algo como: “sou um estorvo e não faço falta a ninguém”, “estou só a ocupar espaço no mundo” ou “já pensei em acabar com isto tudo”).

 

 

Como ajudar uma pessoa com depressão?

 

Informe-se mais sobre este tema

Se suspeita que o(a) seu(sua) familiar ou amigo(a) está com depressão, o primeiro passo é conhecer os sinais, informar-se sobre as causas e possíveis tratamentos.

 

Entender que cada processo é único e cada qual tem o seu ritmo

As conquistas surgem passo a passo, portanto tenha calma e paciência. Valorize todas as pequenas vitórias e não exija mais do que aquilo que a pessoa consegue dar.

 

Escute sem julgamentos

O simples facto de saber que tem alguém disposto a escutá-lo(a), sem o(a) condenar ou efetuar qualquer julgamento, já é uma ótima ajuda para quem está com depressão. Reforça-se a importância de dar respostas empáticas, e evitar dar opiniões pessoais ou conselhos que possam aumentar a sua vulnerabilidade. Diga que quer ajudar. Pode ainda perguntar: “Como pensas que te posso ajudar?”; “Há quanto tempo é que te sentes assim?”; “Ocorreu algo para te sentires assim?”. É importante deixar claro que não está sozinho(a) e que, embora possa não compreender plenamente o que esta pessoa está a sentir, preocupa-se e quer ajudar. Evite a todo o custo relativizar a dor do outro (e.g., “isso está tudo na tua mente”; “todos passamos por isso”; “isso não é um problema, há quem esteja pior”).

 

Auxiliar na procura de ajuda profissional

Quando uma pessoa está deprimida, pode sentir que não é capaz, que é inútil e ter uma baixa autoestima o que poderá dificultar a tomada de decisão. Neste sentido, pode ser preciso falar com o(a) seu(sua) familiar ou amigo(a) que está com depressão no sentido de partilhar as suas preocupações com o seu estado atual e disponibilizar-se a ajudar na procura de um profissional (i.e., psicólogo(a) ou psiquiatra) e até a acompanhá-lo(a) às consultas.

 

Disponibilize-se a ajudar nas tarefas diárias

A pessoa com depressão pode sentir dificuldade em realizar tarefas diárias como o lavar o cabelo, vestir-se, ir às compras ou arrumar a casa. Poderá disponibilizar-se, por exemplo, para ajudar a ir às compras, acompanhar numa breve ida à rua e etc.

 

Incentive-o(a) a realizar as tarefas diárias

O sentir que é capaz de fazer algo sozinho(a) é muito importante, se vir que ele(a) está mais capaz de fazer pequenas coisas por si mesmo(a), valorize essa conquista e incentive a continuar. É de valorizar o conseguir participar nas interações sociais (mesmo que por pouco tempo), o praticar exercício físico, o investimento no autocuidado e tudo quanto contribua para o seu bem-estar.

 

Incentive a manter rotinas

Ajude a pessoa a manter rotinas para descansar e se alimentar o mais regularmente possível.

 

Ajude a tomar a medicação corretamente

Ao não seguir as indicações, a medicação poderá não alcançar o efeito pretendido, porém o parar a toma de forma abrupta pode fazer com que volte a experienciar os sintomas e, talvez, de forma até mais intensa.

 

Não desvalorize as ameaças de se matar ou magoar

Se acredita que existe um risco ou perigo de se magoar ou suicidar, mantenha-se em contacto com essa pessoa e, sempre que possível, faça companhia. Poderá estabelecer um acordo em que irá retirar do seu alcance ou esconder certos objetos com os quais poder-se-á ferir ou medicamentos em elevadas quantidades que poderá ingerir (dificultando o acesso aos mesmos). Lembre-se de que existem tratamentos para a depressão e não hesite em procurar ajuda.

 

Acima de tudo “Cuide de si!”

Se cuida, diariamente, de alguém que está com depressão, é imprescindível ter tempo para si, para realizar atividades que são prazerosas e para descontrair sem culpas. Estas atividades são fundamentais para ajudar a conseguir lidar com o stress do dia-a-dia. Pode parecer um ato egoísta, mas se quiser ajudar alguém, primeiro precisa de estar bem. Recorde-se de que poderá sempre pedir a ajuda de um profissional, a fim de lidar melhor com o que está a vivenciar.

 

Onde procurar ajuda?

 

No caso de sentir que existe risco ou perigo de cometer suicídio, poderá recorrer:

1) À linha de Saúde 24: 808 24 24 24 (disponível todos os dias 24 horas/dia). Explicando a situação será direcionado(a) para o serviço de aconselhamento psicológico;

2) Em alternativa, poderá levar a pessoa ao hospital para ser atendida no Serviço de Urgência, nomeadamente, a Urgência de Psiquiatria.

 

Por outro lado, a própria pessoa com depressão e que sente (ou não) que poderá colocar termo à sua vida. Pode ligar para:

1) A linha de Saúde 24: 808 24 24 24 (disponível todos os dias 24 horas/dia). Explicando a situação será direcionado(a) para o serviço de aconselhamento psicológico;

2) Recorrer à linha SOS Voz Amiga. Linha de apoio emocional e prevenção do suicídio: 800 209 899;

3) Ligar para o Telefone da Amizade: 22 832 35 35. Em contrapartida pode contactar via e-mail (jo@telefone-amizade.pt ) pois, por vezes, falar é extremamente difícil e pode ser mais fácil escrever;

4) Em alternativa, poderá ir ao hospital para ser atendido(a) no Serviço de Urgência, nomeadamente, a Urgência de Psiquiatria.

 

Lembre-se de que não tem de passar por isto sozinho(a) e pode sempre pedir ajuda.

 

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Maria Ferreira – Psicóloga WeCareOn