Este artigo tem como objetivo apresentar e esclarecer o conceito de DISTIMIA, desde a antiguidade até aos dias de hoje. Serão descritas as causas, os sintomas e os critérios de diagnóstico, assim como formas de tratamento. Uma vez que atinge jovens, crianças e adultos, apresentamos as nuances caraterísticas de cada grupo, para assim melhor ser identificada.

 

A Distimia é muitas vezes confundida com depressão, pelo que abordaremos ainda o diagnóstico diferencial, fatores de risco e de prognóstico, consequências funcionais e outros transtornos ou doenças que podem surgir associadas. Terá ainda ao seu dispor a possibilidade de pedir um teste de rastreio totalmente gratuito.

 

O que é a Distimia?

 

A distimia traduz um conceito que pode ser definido das seguintes formas, por diversos autores:

  • estado de desânimo permanente, presente a maior parte do dia, quase todos os dias, durante um pelo menos um ano (Larraguibel, 2003);

 

  • forma de depressão crónica e portanto, não episódica, com sintomatologia menos intensa que nas depressão major, porém com pior prognóstico devido à cronicidade e ausência de reconhecimento da doença (Spanemberg e Juruena, 2004);

 

  • estado de ânimo deprimido ou transtorno depressivo leve, mas crónico, que afeta mais de 3% da população em qualquer comunidade. Causa prejuízo da qualidade de vida do paciente, afeta grandemente o funcionamento cognitivo, pensamento e humor negativo, afeta a execução das tarefas cotidianas e a interação social, assim como a autoestima (Gallardo-Moreno et al. (2013);

 

  • transtorno afetivo crónico que se associa a estratégias inadequadas de adaptação a situações stressantes, sensibilidade ao stress, baixa produtividade no trabalho, aumento do risco de admissão hospitalar, e grande probabilidade da presença de outros transtornos psíquicos associados ou outras enfermidades (Gallardo-Moreno et al. (2013);

 

  • forma mais crónica de depressão, cujos sintomas persistem por pelo menos 2 anos consecutivos em adultos e 1 anos em crianças, é classificados no Manual de Diagnóstico dos Transtornos Mentais como um transtorno depressivo persistente [300.4 (F34.1)] (DSM -5, 2017);

 

Prevalência

 

A prevalência da distimia é de aproximadamente 3% a 6% da população em geral, sendo uma das condições mais comuns na prática médica. Muitos destes pacientes não procuram ajuda e suportam os seus sintomas por muito tempo. Quando consultam o médico, as suas queixas são mal definidas, queixando-se de mal-estar, cansaço ou falta de energia. Além de apresentarem uma série de outras comorbidades/doenças, como ansiedade, medos e fobias, entre outros. O que é muito comum, pois cerca de 70% dos distímicos apresentam outros transtornos associados.

 

A distimia é duas vezes mais comum nas mulheres que nos homens, e também mais comum nas solteiras.

 

Nas crianças, a distimia apresenta uma prevalência de 0,6% a 1,7% e de 1,6% a 8% nos adolescentes. Cerca de 70% dos jovens com distimia apresentam também depressão (considerada depressão dupla – ‘DD’). Verifica-se também, que aproximadamente 50% desses jovens exibem outros transtornos, tais como: ansiedade, transtorno de conduta, transtorno por défict de atenção, enurese ou encoprese.

 

 

Apresentação clínica em crianças e adolescentes

 

Nas crianças, observam-se alterações intensas do estado de ânimo, marcado pela irritabilidade, perda de interesse nas atividades que eram prazerosas e humor depressivo. Verificam-se também mudanças significativas de apetite, peso, sono, concentração, nível de energia, autoestima e motivação. Ocorre prejuízo das relações familiares e sociais assim como do rendimento nas atividades.

 

Os adolescentes, tendem a apresentar alterações do sono, apetite, delírio, ideação suicida e tentativas de suicídio. Verificam-se mais problemas comportamentais e menos sintomas neurovegetativos (sono e apetite) que nos adultos.

 

Para que seja estabelecido diagnóstico, devem apresentar as alterações descritas pelo menos por um ano. É importante ser avaliado psicologicamente e entrevistada a família, professores e pediatra.

 

Causas da Distimia

 

A causa da distimia é complexa e multifatorial, estando envolvidos mecanismos biológicos, psicológicos e ambientais – hereditariedade, predisposição, temperamento, fatores de vida, estressores biológicos, gênero, entre outros – convergem na produção da desregulação do sistema de recompensa.

 

 

Eventos de vida estressantes na infância são muito frequentes (estes eventos são analisados e avaliados numa escala ACE – Adverse Childhood experiences – cujo resultado é preditivo de transtornos ou doenças futuras). Pois essa é uma fase de vida em que estão a desenvolver-se mecanismos cognitivos e emocionais de enfrentamento e coping. Que ficam gravados em redes neuronais, assim como as experiências vividas.

 

Como a distimia está associada a um aumento da utilização dos serviços de saúde e também ao aumento do consumo de drogas psicotrópicas, enormes custos financeiros podem ser atribuídos a esse transtorno, devido à diminuição da produtividade no trabalho e um aumento do risco de hospitalização e de doenças físicas (como aumento do risco de doenças cardiovasculares e respiratórias) também incrementam o custo económico e social dessa patologia, tornando-a um problema de saúde pública.

 

 

Sintomas da Distimia

 

A distimia é um transtorno afetivo, unipolar, crónico (com duração de pelo menos 2 anos nos adultos e de um ano em adolescente e crianças), de início precoce ou tardio (ver subtipos de distimia) com sintomatologia menos intensa que a observada em um episódio depressivo. Os sintomas incluem:

  • insónia (dificuldade em adormecer e/ou manter o sono);
  • hipersónia (sonolência e necessidade de permanecer a dormir ou deitado todo dia);
  • perda ou aumento do apetite;
  • fadiga, falta de energia;
  • baixa autoestima;
  • diminuição da capacidade de concentração:
  • dificuldade para tomar decisões;
  • perda de interesse e prazer em atividades e na vida em geral;
  • sentimentos de desvalor e desesperança.

 

Subtipos de distimia

 

Distinguem-se dois tipos de distimia, quanto ao seu início: precoce ou tardio. A distimia de início precoce é considerada o protótipo deste transtorno, por ser mais comum e exibir uma maior prevalência. A diferença entre estes dois tipos de distimia, além da idade do seu aparecimento, reside na forma de adaptação a situações adversas.

 

Distimia de início precoce

Antes dos 21 anos de idade; o desenvolvimento dos sintomas é gradual, mas também mais severa, havendo maior possibilidade para desenvolvimento de transtornos da personalidade e abuso de substâncias; dados epidemiológicos revelam que há maior probabilidade de as mulheres solteiras desenvolverem este transtorno; a maior durabilidade dos sintomas ocorre quando a pessoa foi sujeita a eventos de vida adversos/stressantes (doenças/separação/morte na família) na infância; há também maior probabilidade de ter outros transtornos associados (tanto físicos como psíquicos) e ter história familiar de transtornos afetivos.

 

Algumas pessoas deste subtipo, podem também encarar os eventos de stress como um impulso para o crescimento, procurando adaptar-se a situações difíceis centrando-se mais nas suas emoções que na resolução dos problemas.

 

Distimia de início tardio

Depois dos 21 anos de idade; surgindo geralmente como uma resposta a um evento de vida stressante em pessoas mais velhas, que podem apresentar depressão ou sofrer de outras enfermidades como por exemplo, as cardiovasculares.

 

 

Há ainda autores que subdividem a distimia quanto aos sintomas, mais marcadamente psíquicos – distimia ansiosa ou mais notoriamente somáticos – distimia anérgica. Estas duas formas de distimia apresentam também uma resposta farmacológica diferenciada (ver abordagem terapêutica – farmacológica).

 

Distimia ansiosa

É caraterizada por baixa autoestima e insegurança. A sua origem está relacionada com um défice de serotonina* modulando a resposta a um stress percebido (perda ou trauma passado, sensibilizador para um stress futuro). Esses indivíduos são mais impulsivos e cometem mais frequentemente tentativas de suicídio (mas com menor letalidade), tendendo a buscar ajuda. Este tipo é mais comum em mulheres, que tendem a automedicar-se com drogas ansiolíticas (benzodiazepínicos, maconha, álcool) e, mais comumente, abuso de comida (comportamento bulímico e/ou ganho de peso).

 

Distimia anérgica

É caracterizada por baixa energia, baixa reatividade e anedonia (perda significativa da capacidade de sentir satisfação e prazer). Essa falta de energia física está relacionada com baixos níveis de dopamina**. Esses pacientes são mais frequentemente do sexo masculino, têm menor interesse sexual, são menos impulsivos, apresentam hipersónia e diminuição da fase REM do sono e tendem a não buscar ajuda. Uma parcela desses pacientes tende à automedicação com drogas estimulantes de abuso, como metanfetamina, cocaína, nicotina e cafeína.

 

* A serotonina é um neurotransmissor que atua no cérebro, estabelecendo comunicação entre as células nervosas, estabelece um papel importante na regulação do humor, do sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e por isso, quando este se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão.

 

** A dopamina é também um neurotransmissor que atua no cérebro e outras partes do corpo e tem um papel importante na regulação motora dos movimentos voluntários, do humor, das vias da memória, da atenção e do prazer, entre outras. A desregulação da dopamina está relacionada a transtornos neuropsiquiátricos. Quando em défice com o Mal de Parkinson, e quando em excesso, a esquizofrenia.

 

Diagnóstico

 

Evolução histórica

 

O termo distimia tem origem na Grécia Antiga e significa ‘mau humor’. Da Grécia Antiga até à Idade Média, a doença mental era cuidada por clérigos e religiosos, uma vez que passou a ser atribuída à magia, ao pecado e à possessão demoníaca, alvo da Santa Inquisição.

 

Karl Ludwig Kahlbaum, em 1863, utiliza os termos “ciclotimia” para as formas mais leves de flutuação do humor e “distimia” para a doença (melancolia) que apresenta apenas uma fase de depressão atenuada. Essa descrição, na Alemanha do século 19, parece ter sido a primeira aproximação do termo ao sentido de depressão crónica leve, e não a um temperamento psicopático depressivo. O termo “depressão” começa a aparecer nos dicionários médicos em 1860, sendo amplamente aceito e restringindo cada vez mais o termo “melancolia”.

 

Em 1923, Kurt Schneider, no seu trabalho monográfico, descreveu a psicopatia depressiva ou distímica, vinculando-a à combinação etiológica de fatores hereditários, neonatais e a influências ambientais precoces, e não a uma doença do humor (depressiva). Usando o termo “personalidade”, Schneider definiu como personalidades anormais algumas variantes constitucionais do normal, considerando, assim, a psicopatia depressiva no campo dos transtornos de personalidade.

 

Sob a influência das teorias psicanalíticas e schneideriana, as classificações oficiais – americana (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) e mundial (Classificação Internacional de Doenças – CID) – difundiram a noção de depressão cronica como equivalente às neuroses de caráter, desvinculando-a dos transtornos do humor e ligando-a aos transtornos de personalidade. Assim, nas décadas de 60 e 70, o DSM-II incluiu “Depressão Neurótica”, e a CID-9, “Neurose Depressiva”, ambas englobavam episódios não-crónicos.

 

Actualmente

 

Sob influência das novas descobertas, no DSM-III, a depressão crônica passa a ser referida pelo termo “Transtorno Distímico”, em substituição a “Depressão Neurótica”, no DSMII, e é incluída no capítulo dos transtornos afetivos. O DSM-III-R e o DSM-IV incorporaram algumas dessas definições, sendo que, no apêndice do DSM-IV, já aparece o transtorno de personalidade depressiva.

 

A CID-10 não consegue ainda estabelecer um conceito de distimia que seja essencialmente diferente da neurose depressiva ou da depressão neurótica, ou seja, trata-se de um conceito mais amplo que o do DSM-IV.

 

Diferenças entre manuais de diagnóstico

 

As diferenças entre os critérios diagnósticos dos dois manuais refletem, entre outras coisas, o fato de o DSM-IV se destinar também à investigação, enquanto que a CID-10 se destina à aplicação clínica. Além disso, a composição política da CID-10 é bem mais complexa, por pretender abranger o mundo inteiro, e não apenas um país.

 

Ambas, a despeito das suas diferenças, consideram a distimia como um transtorno afetivo, unipolar, crónico (pelo menos 2 anos), com início precoce ou tardio, com sintomatologia menos intensa que a observada em um episódio depressivo e com sintomas que incluem insónia, falta de energia, fadiga, baixa autoestima, diminuição da capacidade de concentração e perda de interesse e prazer.

 

Critérios de diagnóstico (atuais, DSM-5)

 

  1. Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato subjetivo ou por observação feita por outras pessoas, pelo período mínimo de dois anos.

Nota: Em crianças e adolescentes, o humor pode ser irritável, com duração mínima de um ano.

Presença, enquanto deprimido, de duas (ou mais) das seguintes características:

  1. Apetite diminuído ou alimentação em excesso;
  2. Insônia ou hipersonia;
  3. Baixa energia ou fadiga;
  4. Baixa autoestima;
  5. Concentração pobre ou dificuldade em tomar decisões;
  6. Sentimentos de desesperança.

 

  1. Durante o período de dois anos (um ano para crianças ou adolescentes) de perturbação, o indivíduo jamais esteve sem os sintomas dos Critérios A e B por mais de dois meses.
  2. Os critérios para um transtorno depressivo maior podem estar continuamente presentes por dois anos.
  3. Jamais houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco e jamais foram satisfeitos os critérios para transtorno ciclotímico.
  4. A perturbação não é mais bem explicada por um transtorno esquizoafetivo persistente, esquizofrenia, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado ou transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado.
  5. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento) ou a outra condição médica (p. ex., hipotireoidismo).

 

Desenvolvimento e curso da doença

 

A distimia (ou transtorno depressivo persistente, segundo DSM-5) com frequência apresenta um início precoce e insidioso (i.e., na infância, na adolescência ou no início da idade adulta) e, por definição, um curso crónico. Entre os indivíduos com distimia e transtorno da personalidade borderline, a covariância das características correspondentes ao longo do tempo sugere a operação de um mecanismo comum. O início precoce (i.e., antes dos 21 anos) está associado a uma probabilidade maior de transtornos da personalidade e de transtornos por uso de substâncias, associados.

 

Quando os sintomas aumentam até o nível de um episódio depressivo maior, eles provavelmente retornarão um nível inferior. Entretanto, os sintomas depressivos têm muito menos probabilidade de desaparecer em determinado período de tempo no contexto da distimia do que em um episódio depressivo maior.

 

Fatores de risco e prognóstico

  • Os fatores preditivos de pior evolução no longo prazo incluem níveis mais elevados de afetividade negativa (neuroticismo*), maior gravidade dos sintomas, pior funciona- mento global e presença de transtornos de ansiedade ou transtorno da conduta.

 

*O neuroticismo é um traço de personalidade que possui uma importante base biológica. Isso quer dizer que é uma tendência de comportamento, de emoções e de pensamento (traço de personalidade) que em grande parte herdamos dos nossos progenitores. Isso não significa que não podemos modificá-la, mas que a pessoa traz parte dessa tendência desde o momento do seu nascimento. Mais tarde, ao longo da vida, o ambiente é responsável por reforçar ou diminuir essa tendência.

 

  • Os fatores de risco na infância incluem perda ou separação dos pais.
  • Genéticos e fisiológicos. É provável que os indivíduos com distimia (ou transtorno depressivo persistente) tenham uma proporção maior de parentes de primeiro grau com essa doença do que os indivíduos com transtorno depressivo maior, e mais transtornos depressivos em geral;
  • Inúmeras regiões cerebrais (p. ex., córtex pré-frontal, cingulado anterior, amígdala, hipocampo) estão implicadas na distimia; existem alterações de sono.

 

Consequências funcionais

O grau em que a distimia se repercute no funcionamento social e profissional varia bastante, porém os efeitos podem ser tão grandes ou maiores quanto os do transtorno depressivo maior.

 

Há evidências de que a distimia é acompanhada de transtornos de processamento cognitivo. Várias pesquisas foram realizadas com sujeitos com diagnóstico de distimia e concluiu-se que estas pessoas apresentam dificuldades de concentração, atenção, memória de trabalho e episódica, fluência verbal, velocidade percetivo-motora e flexibilidade mental. Verificou-se também, que os distímicos tem uma distribuição anormal e excessiva de movimentos oculares rápidos na fase de sono (REM) no início da noite, e também movimentação periódica das pernas.

 

Transtornos/ outras doenças associadas

 

Em comparação com indivíduos com transtorno depressivo maior, aqueles com distimia estão em maior risco para comorbidade psiquiátrica em geral e para transtornos de ansiedade e transtornos por uso de substâncias em particular. A distimia de início precoce está fortemente associada aos transtornos da personalidade dos Grupos B (antissocial; borderline; narcisista; histriónica) e C (evitante, dependente, obsessivo-compulsiva) do DSM.

 

Abordagem terapêutica

 

Existem duas abordagens terapêuticas: a psicoterapia e a psicofarmacologia.

 

Após a realização de consulta psicológica, deve ser realizada avaliação psicológica a fim de determinar com maior precisão o diagnóstico e clarificar a abordagem terapêutica a seguir.

 

Os objetivos principais a trabalhar com estes pacientes são:

  • A autoestima;
  • Habilidades de resolução de problemas;
  • Criar ou ampliar o sistema de estratégias adaptativas;
  • Melhorar o relacionamento interpessoal (pares, colegas, trabalho, familiar, conjugal).

 

 

 

Psicofarmacologia – fármacos para o tratamento de doenças psíquicas

 

 

Na abordagem farmacológica, para o tratamento da distimia, encontram-se os antidepressivos:

  • IMAO’s (inibidores da monoaminooxidase);
  • ISRS’s (inibidores seletivos da recaptação de serotonina/ noradrenalina/ dopamina);
  • E os tricíclicos, também designados de ADT’s (ver Tabela 1.).

 

Os antidepressivos podem ser administrados a crianças e jovens que não respondem rápida ou favoravelmente à psicoterapia, nos casos de depressão severa ou depressão psicótica.

 

Tabela 1 – Classificação dos antidepressivos

 

 

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)

Não seletivos e Irreversíveis:

  • iproniazida;
  • isocarboxazida;
  • tranilcipromina;
  • fenelzina.

 

Seletivos e Irreversíveis

  • clorgilina (MAO-A)

 

Seletivos e Reversíveis

  • brofaromina
  • moclobemida
  • toloxatona
  • befloxatona

 

Inibidores não seletivos de recaptura de monoaminas (ADTs)

Inibição mista de recaptura de 5-HT/NE

  • imipramina
  • desipramina
  • clomipramina
  • amitriptilina
  • nortriptilina
  • doxepina
  • maprotilina

 

 

Inibidores seletivos de recapturade serotonina (ISRS)

  • fluoxetina
  • paroxetina
  • sertralina
  • citalopram
  • fluvoxamina

 

Inibidores seletivos de recaptura de 5-HT/NE (ISRSN)

  • venlafaxina
  • duloxetina

 

Inibidores de recaptura de 5-HT e antagonistas ALFA-2 (IRSA)

  • nefazodona
  • trazodona

 

Etimulantes da recaptura de 5-HT (ERS)

  • tianeptina

 

Inibidores seletivos de recaptura de NE (ISRN)

  • reboxetina
  • viloxazina

 

Inibidores seletivos de recaptura de DA (ISRD)

  • amineptina
  • bupropion
  • minaprina

 

Antagonistas de alfa-2 adrenorreceptores

  • mianserina
  • mirtazapina

 

 

Legenda: 5-HT: serotonina; NE: noradrenalina; DA: dopamina

Fonte:

Bezchlibnyk-Butler KZ, Jeffries JJ. Clinical handbook of psychotropic drugs. 9th ed. Toronto (Canada): Hogrefe & Huber Publishers; 1999.

 

Para explorar e aprofundar os mecanismos de ação, os efeitos colaterais e de interação entre fármacos com os antidepressivos, sugere-se a leitura de Moreno, Moreno e Soares (1999).

 

Psicoterapia – técnicas específicas para o tratamento de doenças psíquicas

 

No âmbito das psicoterapias, recomendo as que reconheço experiencialmente com resultados comprovados, como sendo das melhores modalidades terapêuticas na resolução de perturbações emocionais, afetivas, relacionais, comportamentais, e ainda da personalidade: a Terapia EMDR, e Brainspotting.

 

Serão sumariamente explanadas por forma a compreender de que se trata e como são aplicadas. Sempre por psicólogos ou psiquiatras especialistas em psicoterapia. Pelo que pode e deve requerer a credenciação (Cédula) do profissional que administra o tratamento.

 

O que é a Terapia EMDR?

 

A terapia EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) foi desenvolvida por Francine Shapiro (Ph.D.) nos Estados Unidos, em 1987. É ancorada em estudos da neurociência, aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e recomendada pela American Psychiatric Association (APA), como um tratamento extremamente eficaz para pessoas (crianças ou adultos) que viveram experiências traumáticas.

 

Consiste numa intervenção breve e focalizada no reprocessamento e dessensibilização de memórias passadas relacionadas com o trauma emocional e/ou com a ansiedade. Está indicada para o tratamento de transtorno de stress pós-traumático, depressão, ansiedade, pânico, compulsões, hiperatividade, medos e fobias, dor, entre outros. Também é útil para uma variedade de problemas emocionais, relacionais e comportamentais.

 

O que acontece no cérebro?

A memória traumática permanece inalterada principalmente no hemisfério direito, responsável pela regulação das nossas emoções, não existindo uma comunicação com o hemisfério esquerdo, o responsável pela objetividade e pela racionalidade. Sendo o hemisfério esquerdo que terá as estratégias necessárias para transformar e reatribuir um novo significado à experiência emocional e diminuir a ativação da memória passada, permitindo-lhe permanecer no passado e não no presente.

 

Procedimento da Terapia EMDR:

A terapia EMDR através da estimulação bilateral ajudará a que esta comunicação entre os hemisférios seja restabelecida e possa ocorrer o reprocessamento e dessensibilização de memórias passadas relacionadas com o trauma emocional e/ou com a ansiedade resultante da experiência emocional traumática.

 

A estimulação bilateral é conseguida através da utilização do movimento alternados dos olhos (estímulo visual), podendo ser alternado com o uso de estímulos sonoros e/ou tácteis.

 

O que é o Brainspotting?

É um método de tratamento focalizado, que funciona identificando, processando e libertando fontes neuropsicológicas de dor física e emocional (traumas, dissociações e outros sintomas, tais como os de ansiedade e pânico).

 

O Brainspotting (BSP), foi desenvolvido por David Grand, Ph.D, e funciona como uma ferramenta neurobiológica, chegando a experiências e sintomas que normalmente estão fora do alcance da mente consciente. Simultaneamente é considerado, como uma forma de diagnóstico e de intervenção. O seu efeito é intensificado com o uso de sons bilaterais que oferecem contenção e controlo ao paciente.

 

Trabalha-se com o cérebro profundo e com o corpo através do acesso direto ao Sistema Nervoso Autónomo e Límbico. Como tal Brainspotting é um método de tratamento que tem resultados psicológicos, emocionais e físicos.

 

Como funciona? Um brainspot (ponto específico no cérebro) é a posição ocular relacionada com a ativação energética e emocional de um tema perturbador. É localizado através da posição ocular, e corresponde a um subsistema fisiológico que armazena a experiência perturbadora em forma de memória.

 

Quando um brainspot é estimulado, o cérebro profundo assinala (mostra) de forma reflexa ao terapeuta que foi localizado uma área significativa. Gestos ou expressões faciais reflexas são exemplo de poderosos indicadores de brainspot.

 

O foco de atenção estimula um processo profundamente integrador e curativo d(n)o cérebro.

 

Quais as vantagens do Brainspotting?

 

Rápida Evolução: observam-se mudanças a partir da primeira sessão de terapia.

Mudança do estado global: devido à sua intervenção focada de consciências trabalha e altera diretamente o sintoma apresentado.

Fisiologia: havendo equilíbrio orgânico (cérebro e corpo), a perceção corporal melhora e são otimizados os recursos corporais.

 

Reconhece a capacidade inata do corpo de se automonitorizar, isto permite o processamento e a libertação de áreas (sistemas) que se encontram em desequilíbrio, incluindo a possibilidade de reduzir e/ou eliminar a dor física, e a tensão associada a perturbações psíquicas e físicas.

 

Outras Indicações

Pessoas de todas as idades podem usufruir dos benefícios do Brainspotting tanto para a terapêutica como para a otimização do desempenho. Além da elevada eficácia nas Perturbações de Ansiedade e de Pânico, pode ser administrado em casos de:

 

O Brainspotting e a Terapia EMDR são novas abordagens psicoterápicas que têm sido utilizadas com grande eficácia no tratamento de diversos transtornos. A EMDR é reconhecida e recomendada pela OMS como forma de tratamento de primeira linha nos casos de trauma.

 

Estas abordagens enfatizam a sintonia relacional entre terapeuta e cliente e a sintonia neurobiológica. Promovendo o processamento de eventos traumáticos, que alicerçam o humor e o pensamento negativos. Promovendo também um reprocessamento cognitivo dos eventos que lhe estão na base devolvendo a esperança no futuro aos seus pacientes.

 

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Liliana Pena – Psicóloga, psicoterapeuta, coach e supervisora clínica na WeCareOn

 

 

Referências /Fontes bibliográficas

Este artigo reúne informação de diversas referências inclusas numa vasta pesquisa sobre o tema, sendo as principais: