Crescer Confiante – A importância de ser um Bom Espelho!

crescer

Desde a infância, o ser humano vai forjando a sua personalidade, com toda a sua riqueza e complexidade, através das experiências positivas e negativas que vive no seu ambiente afectivo. Começa pelo círculo mais íntimo, a mãe, em seguida o pai, os irmãos e depois passa para o mais amplo, que inclui a família alargada, os amigos, os colegas, os professores entre outros. E é na construção destas relações que se vai construindo o seu auto-conceito e auto-estima.

Embora muitas vezes sejam utilizados enquanto sinónimos, existem diferenças entre estas duas terminologias, que acabam por ser indissociáveis.

O Auto-Conceito responde à pergunta “Quem sou eu?”, enquanto a auto-estima está relacionada com “Como é que me sinto em relação a mim mesmo?”

O Auto-Conceito diz respeito à percepção que o indivíduo tem de si próprio, baseando-se directamente nas suas experiências, na relação com os outros e nas atribuições que faz da sua própria conduta. É um aspecto fundamental na construção da personalidade, e começa a construir-se desde muito cedo (por volta dos 18meses), quando a criança se olha ao espelho e percebe que está a olhar para ela própria. É neste momento que se apercebe que possui uma existência separada das outras pessoas. Ao longo do seu desenvolvimento, e em graus diferentes de clareza, consoante a sua maturidade e experiências de vida, a criança vai-se apercebendo de diferentes características que a constituem. Por volta dos 4/5 anos de idade, as afirmações que a criança faz de si próprio são representações simples, independentes e de “tudo ou nada”. Por exemplo, nesta fase a criança não se consegue imaginar a ter duas emoções em simultâneo (“não pode ficar contente e ter medo”), porque ainda não se consegue descentrar e considerar diferentes aspectos de si próprio ao mesmo tempo.

Por fim, entre os 7 e os 8 anos de idade ela começa a integrar aspectos específicos do self num conceito mais geral, fazendo descrições acerca de si mais equilibradas (“Sou bom a jogar hóquei, mas mau em matemática”).

Em suma, este é um construto que se desenvolve na relação da criança com as outras pessoas significativas de sua vida, que atuam como espelhos a partir dos quais a criança pode perceber e formar a sua imagem sobre si mesma.

No próximo artigo, abordarei a auto-estima, bem como algumas estratégias que poderão ser utilizadas para que a criança crie uma imagem positiva e valorativa de si mesma.

Beatriz Abreu – Psicóloga @ WeCareOn

Notícias relacionadas

Três decisões que controlam a nossa vida

O Poder Terapêutico da Música na Saúde Mental

Estar ocupado não é o mesmo que estar bem: sinais de funcionamento automático

Estar ocupado não é o mesmo que estar bem

Porque o inverno mexe contigo: luz, temperatura e emoções

Porque o inverno mexe com a saúde mental: luz, temperatura e impacto emocional

Reaprender a estar sozinho depois das festas: como cuidar do teu espaço emocional

Reaprender a estar sozinho depois das festas

Artigos Recentes do Blog de Bem-Estar

Estar ocupado não é o mesmo que estar bem: sinais de funcionamento automático

Estar ocupado não é o mesmo que estar bem

Os dias seguem cheios, a agenda raramente tem espaços vazios e as tarefas vão a ser cumpridas uma atrás da outra. À superfície, tudo parece funcionar. Ainda assim, muitas pessoas carregam uma sensação difícil de explicar: fazem muito, mas sentem pouco. Estão sempre em movimento, mas com pouca ligação ao que acontece internamente. Estar ocupado […]

Porque o inverno mexe contigo: luz, temperatura e emoções

Porque o inverno mexe com a saúde mental: luz, temperatura e impacto emocional

Os meses frios trazem uma mudança silenciosa ao nosso dia a dia. Os dias ficam mais curtos, a luz desaparece cedo e o corpo reage antes mesmo de nos apercebermos. Para muitas pessoas, o inverno traz uma sensação de maior cansaço, menos motivação e um humor mais sensível. Não é imaginação. O ambiente muda e […]

Reaprender a estar sozinho depois das festas: como cuidar do teu espaço emocional

Reaprender a estar sozinho depois das festas

O fim das festas traz um tipo de silêncio que nem sempre é confortável. Depois de semanas com pessoas à volta, agendas cheias, conversas constantes e muitos estímulos, o regresso ao ritmo habitual cria mais espaço e menos distrações. Esse contraste pode gerar uma sensação estranha, difícil de explicar. Não tem a ver com falta […]