Como explicar a uma criança os atentados?

 

Ainda  o mundo não tinha sarado dos ataques de Novembro de 2015 em Paris e eis que, em choque, recebemos a notícia de mais uma investida terrorista, desta vez em Bruxelas, com a explosão de três bombas na Capital Belga. Como explicar esta realidade a uma criança?

 

Com mais de três dezenas de mortos e duas centenas de feridos, os media estão de olhos postos nesta tragédia, procurando acompanhar de perto o desenrolar dos acontecimentos, no fundo, compreender os contornos sob os quais se desenrolou este infeliz acontecimento. Sob os mais diversos meios de comunicação, através de imagens, relatos, vídeos e reportagens, a informação entra pelas nossas casas e torna-se difícil manter os mais pequenos afastados dos acontecimentos.

 

Nestes momentos, é frequente surgirem algumas dúvidas por parte dos Pais, acerca da explicação a dar às crianças, nomeadamente no que diz respeito à utilização de armas, que se pretende erradicar, ao mesmo tempo que se defendem os valores da paz e da não-violência.

Se para nós, adultos, a complexidade dos factos torna por vezes impossível a compreensão da situação, imagine-se para as crianças. Assim, como explicar estes acontecimentos? Devemos fazê-lo? A partir de que idade? Que informação transmitir?

 

A partir dos 3 anos de idade, a criança é capaz de se aperceber do que se passa à sua volta, captando a apreensão e ansiedade dos adultos. Fornecer uma resposta honesta e adaptada à idade e compreensão da criança, é a melhor opção.

Evite explicações longas, detalhes chocantes, termos politizados ou religiosos, não dê mais informações do que aquelas que a criança quer e tem maturidade para compreender. Uma boa forma de abordar o tema será perguntar ao seu filho o que é que ele já sabe, o que ouviu e onde ouviu.

Evite expressões como “radicalismo islâmico”, “a religião deles ensina-os a ser assim” ou “os pais deles não os educaram”.  As crianças mais novas apenas compreendem que existe o bom e o mau, o certo e o errado, e só as mais velhas estão preparadas para lidar com a complexidade do evento. O mais importante será esclarecer que o ocorrido adveio de uma escolha feita por pessoas que têm uma forma diferente de pensar, não tolerando que outros não pensem de forma igual.

As crianças necessitam sentir-se seguras, pelo que será fundamental explicar que estes ataques são raros, que várias pessoas foram salvas por médicos e polícias e que os adultos estão a trabalhar para impedir que voltem a acontecer. No fundo, passar uma mensagem de esperança, relembrando a importância da tolerância com o próximo e o valor da liberdade.

 

Beatriz Abreu – Psicóloga @WeCareOn

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