A Parentalidade Positiva consiste num comportamento parental baseado no melhor interesse da criança. A parentalidade positiva, pressupõe a satisfação das principais necessidades (físicas e emocionais) das crianças e a sua capacitação, sem violência ou agressividade.

 

Desenvolvimento…

O bem-estar das crianças e as suas trajetórias de desenvolvimento, estão correlacionadas com os padrões de interação familiares, o tipo de experiências e vivências que a família proporciona à criança e aspetos relacionados com a prestação de cuidados básicos em termos de segurança e saúde.

 O desenvolvimento da criança é influenciado por fatores individuais da própria, fatores familiares e outros fatores do meio circundante.

Portanto, assumindo a família como o principal contexto no qual as crianças desenvolvem competências, a interação pais-filhos e os cuidados parentais constituem-se como o recurso emocional e cognitivo mais importante para o desenvolvimento emocional, intelectual e comportamental da criança.

O exercício da parentalidade assume, deste modo, um papel fulcral no desenvolvimento cognitivo e psicossocial das crianças. Para tal, é determinante que os pais/mães constituam modelos emocionais adequados, transmitam pensamentos e modelem comportamentos emocionalmente saudáveis. É importante que os pais respeitem e valorizem as especificidades, as características e a autonomia dos seus filhos.

A criança enquanto ser humano, tem o seu livre arbítrio e as suas vontades e emoções devem ser ouvidas sem serem desvalorizadas ou desrespeitadas. Por exemplo: As crianças podem fazer birras por diversos motivos, tais como, cansaço, sono, preocupação e falta de atenção. Cabe aos pais ajudarem as crianças na sua regulação emocional. Em conjunto com a criança, pode tentar perceber as necessidades dela e o motivo de se estar a expressar daquela forma, utilizar palavras como “aborrecido, triste, feliz, confuso” no diálogo com a criança, e tentar negociar uma forma melhor de reagir perante certas situações.

 

Como por em prática a parentalidade positiva:

Criar um ambiente acolhedor que se constitua num contexto favorável para o desenvolvimento da criança.

De modo a criar um ambiente acolhedor é previsto um padrão adequado de comunicação pautado pelo respeito e compreensão.

 

O que fazer?

– Orientar o comportamento (dizer à criança o que fazer e o que não fazer);

-Explicar o porquê de um comportamento e as consequências do incumprimento e dar alternativas; Ex: Se brincares com esse objeto podes-te magoar, por isso é que não o deves fazer, experimenta brincar antes com isto ou aquilo (evitar o porque sim/porque não/porque eu disse).

-Ensinar pelo exemplo; as crianças aprendem por modelagem de comportamentos.

-Reforçar o comportamento positivo (elogio, recompensa); Ex: Vi que guardaste os teus brinquedos sozinho, muito bem, bom trabalho.

-Estabelecer regras claras e adequadas para a idade;

– Ser flexível e “negociar” as regras com a criança, oferecendo alternativas; Ex: Percebo que não queiras vir jantar agora e podes ficar a brincar mais 5 min e depois vens mesmo sentar-te na mesa, para jantarmos todos juntos…

-Explicitar as consequências dos incumprimentos (cancelar atividades agradáveis, fazer uma pausa);

-Coaching emocional parental (compreender e validar as emoções da criança);

O que evitar?

A exposição de uma criança a práticas parentais inadequadas tais como:

-Falta de um relacionamento caloroso e positivo com os pais; (Não demonstrar afeto).

-Práticas disciplinares rígidas, autoritárias, inconsistentes; Ex: Algumas vezes atribuir castigos muito rígidos, outras vezes não aplicar castigo nenhum (Muitos pais aplicam castigos consoante as suas próprias emoções, se estão bem dispostos ou não). Isto deve ser evitado, as crianças precisam de limites e de estabilidade para se sentirem seguras.

-Supervisão inadequada;

-Padrão de envolvimento com as crianças negligente.

 

Estes fatores constituem fatores de risco para o desenvolvimento infantil, aumentando a vulnerabilidade a um percurso de desajustamento pessoal e psicossocial.

Dificilmente existem pais que fazem sempre tudo de forma correta, sendo que a perfeição é algo fora do alcance do ser humano. Deve, por isso, evitar comparar as suas competências, enquanto pai ou mãe, com a dos outros.

Cada criança, contexto e vivência é diferente, sendo que nunca vamos conhecer as batalhas do outro, de forma tão aprofundada, como conhecemos as nossas.

O importante é dar o seu melhor, reconhecer os seus erros e dificuldades, seguir, se lhe fizer sentido, as dicas acima e, por fim, aproveitar as diversas fases de desenvolvimento da criança.

 

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Catarina Mota – Psicóloga Clínica