A importância da Criança interior

criança interior

O tema da criança interior é extremamente importante, porque quando o trabalhamos em nós, sentimos-nos muito mais conectados connosco, e isso é essencial para cada pessoa e para a sua vida. Cada um estar numa relação consigo próprio que seja positiva, confortável, gentil, uma relação saudável que te permite olhar para o que sentes, como sentes e o que fazes com isso.

E tudo isso pode levar a que tu tenhas mais consciência daquilo que necessitas, que te nutras, que possas ativar os teus recursos internos e externos para te ajudares a ti própria/o.

A criança interior faz parte de cada um, sejas tu um adolescente ou um adulto, ela vive em ti.

E o que acontece muitas vezes é que com o decorrer da nossa vida esquecemo-nos de todo esse universo, de todo esse universo infantil que já foi vivenciado, e o facto de não acederes a essa parte de ti pode fazer com que tu te possas sentir mais “vazia/o”, mais desconectada/o com a própria vida e contigo própria/o, talvez até carente, talvez possas repetir padrões que vivenciaste na infância, podes até sentir uma melancolia que vem e vai, não sabes desde quando a sentes mas parece que desde sempre que esteve contigo.

O que significa a criança interior?

A criança interior é toda a história da tua infância, todas as tuas memórias, vivências internas, emoções, tudo o que tu elaboras dentro de ti que viveste em todos estes anos e uma parte de quem tu és. É a parte de ti que se relaciona com as crenças e os afetos que foram construídos na infância e de como isso te moldou, te fez fazer determinadas escolhas, que faz com que tu ainda tenhas determinados anseios e carências, dificuldades específicas, etc.

É no fundo tudo aquilo que elaboras da tua infância, a forma como contas e sentes o que aconteceu, e de como te lembras, de como foi para ti.

Isto compreende as idades desde o mais cedo que nos lembrarmos até à adolescência. Tudo o que viveste, ou seja a família que te acolheu desde o teu nascimento, os lugares por onde andaste, as escolas que frequentaste, as tuas aprendizagens, as sensações que te recordas de histórias vividas, memórias, sentimentos específicos em relação a episódios.

Por exemplo:

Como era ires para a escola?

Quais eram as sensações?

Que amigos tinhas?

Como era brincares com a tua mãe?

E com o teu pai?

O que gostavas mais de fazer?

Quais eram os teus sonhos?

Quais eram os teus brinquedos favoritos?

Relembrar tudo isto pode ser bastante agradável e nostálgico ou não, pode ser perturbador e desconfortável. Depende muito de como viveste a tua infância, como te sentes em relação a isso, como te recordas de tudo isso e como elaboras dentro de ti e no teu discurso interno. Experimenta perceber quais foram os acontecimentos chave que fizeram parte dela?

O nosso mundo infantil revivido a partir do nosso adulto pode ser intenso e tem um profundo impacto em nós pois é quando somos crianças que estabelecemos vínculos, que construimos o nosso carácter, a nossa forma de compreender o mundo que, claro, se vai transformando com o tempo, com o crescimento, com as experiências e as aprendizagens, mas é inevitavelmente influenciado por aquilo que foi a tua infância.

Sugestão: Experimenta de uma forma simples e sem expetativas fazer um desenho com lápis de cor sobre a tua criança interior.

Observa, sente o que desenhaste, como está a tua criança?

Que cores usaste?

Ela está recetiva ou fechada?

Está a fazer o quê?

O que está à volta dela?

O que fazer com toda esta informação?

Bom, em primeiro lugar, o que acontece é que quando a criança interior está ferida, ou seja quando sofreu inúmeros traumas, solidão, tristeza, desilusão vezes sem conta, isso fica como que gravado, manifestando-se de múltiplas formas, por vezes em atos bastante conscientes, por vezes nem tanto ou como padrões que vais repetindo.

Por vezes relacionado com a criança interior associam-se também inúmeras crenças limitantes que nada têm que ver connosco mas sim com a nossa família. Ao termos consciência destas crenças, o que podes fazer e te pode ajudar nesta mudança é escreveres todas as crenças limitantes que te lembras e depois reescrevê-las de uma forma que não seja limitante, que seja positiva.

Nós só podemos mudar algo quando temos consciência e queremos efetivamente mudar, seja por nós ou seja porque alguém conversa connosco e partilha o que sente e nos ajuda a compreender determinadas dinâmicas de uma forma que é compreensível para nós. Apenas no momento em que nos apercebemos é que ficamos conscientes da situação. A partir desse momento é que efetivamente conseguimos mudar algo, mesmo que seja num pequeno movimento. Mas esse pequeno movimento já é um movimento, e muitas vezes por mais pequeno que seja, isso já é um novo início.

Ao ganhares esta consciência podes em primeiro lugar saber que de alguma forma é possível aceder a este universo dentro de ti, e talvez seja importante fazê-lo muitas vezes para que possas cuidar dela (da tua forma), pode ser simplesmente fazendo coisas que fazias quando eras pequena/o, indo aos mesmos lugares, comendo as mesmas coisas, ou fazendo coisas que te recordem a infância de uma forma geral.

Que relação existe entre a tua criança interior e o eu adulto?

O que acontece é que, muito daquilo que aconteceu na infância teve um impacto enorme na tua vida, fossem isso experiências positivas ou menos positivas. Pode até ter sido algo pontual mas foi o suficiente para te impactar e pode mesmo ter modificado a forma como vias o mundo, como te sentias em relação a alguma coisa ou a ti mesma/o.

Tudo isso que te impactou pode ter-te levado a ter determinados comportamentos, crenças, sentimentos que de alguma forma te condicionaram e isso pode estar a repetir-se agora neste momento da tua vida: os mesmos comportamentos, crenças e/ou sentimentos. Por exemplo, pequenas atitudes ou acontecimentos podem fazer com que te sintas imediatamente ativada/o, certas frases, palavras, entoações na voz. Podes ter determinadas dinâmicas específicas com membros da tua família, amigos entre outros que te rodeiam e que podes sentir como estranhas, como sendo sempre iguais ou difíceis. Já fizeste uma ponte entre essas dinâmicas e o que foi e como foi a tua infância? E como foram as dinâmicas entre ti, os teus pais e possivelmente os teus irmãos/ãs? Reconheces algo?

Por vezes repetimos a mesma dinâmica que os nossos pais tinham porque as vimos vezes sem conta, ou dos nossos avós. Outras vezes, quando damos conta, estamos a viver da mesma forma ou a repetir padrões semelhantes aos que vimos na infância.

Claro que nem tudo é explicado por isto, existem muito fatores e muitas variáveis.

O importante é reconhecer o que se passa, que dinâmicas são estas que associas da tua infância e que sensações te trazem? E perceber que a forma como viveste a tua infância e tudo o que se passou pode ajudar-te agora neste momento da tua vida.

 

De que forma saber tudo isto te pode ajudar agora?

Compreendendo estas ligações, podes efetivamente mudá-las primeiro criando outros pensamentos e assim novas crenças para depois modificar os teus comportamentos. Também podes resignificá-las estando atenta/o à história que contas sobre ti.

Ao modificar os teus comportamentos e tendo em atenção se estás a ser gentil contigo, se te respeitas e se o que estás a fazer é rumo a uma melhor versão de ti própria/o e a uma vida mais em harmonia com quem tu és e o que queres para ti.

Sabendo que a criança interior vive dentro de ti e podes aceder a ela sempre que quiseres, é importante que tenhas disponibilidade mental e emocional para isso e, dependendo do teu percurso, podes fazê-lo facilmente sozinha/o ou se preferir acompanhada/o em consulta. Podes até fazer este processo sem qualquer expetativa ou esperança. Mas faz, dá te essa oportunidade de experimentar e perceber como é, como te sentiste antes, durante e depois.

 

Sinais de que precisas de cuidar da tua criança interior

  • busca constante por atenção

  • busca constante por amor e afecto, sendo que nunca é suficiente

  • dificuldade em definir os seus próprios limites

  • depressão crónica, sentimento de vazio e melancolia desde que te lembras de existir

  • falta de conexão contigo mesma/o

  • sensação de estares perdida/o na vida, sem saber o que fazer, para onde ir, que escolhas fazer

  • falta de amor próprio constante

Por tudo isto e muito mais,  este trabalho pode ser muito importante e impactante em ti.

Habitualmente ao referir este tema podemos encontrar as palavras resgatar, regenerar a criança interior. E é de facto isto que é tão bonito e pode ser valioso para cada um. Ao acederes à tua criança, de alguma forma estás a permitir aceder a uma parte de ti, que pode estar esquecida, e por isso trazê-la pode ter de facto impacto na tua vida e isso ajudar a compreender, e a poder mudar dinâmicas, formas de estar, compreensão e auto-conhecimento.

Trabalhar a criança interior é permitires reforçar o teu amor próprio, o cuidado para contigo (auto cuidado) e resignificar o teu mundo interior contando uma outra história a ti própria/o.

 

https://www.mindbodygreen.com/articles/inner-child-work/

https://www.mindful.org/healing-the-child-within/

 

Se precisas de ajuda, estamos aqui para ti!

 

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Cátia Raposo– Psicóloga na WeCareOn

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