A dor: da teoria à prática

No seguimento da última publicação sobre as emoções, em que falamos sobre o desprezo, iremos falar sobre a dor tal como falamos do desprezo, tanto do ponto de vista teórico como do ponto de vista prático.

Para ocorrer a dor é necessária uma experiência sensorial ou emocional desagradável, tanto real como potencial. Tal como as outras emoções básicas universais (alegria, tristeza, medo, surpresa, aversão, desprezo e raiva), o medo é visível na face, e pela sua visibilidade torna-se nuclear para a compreensão de funções regulativas e expressivas do ser humano. Através disto, os músculos faciais da dor servem como vigilantes neurais, ou seja, torna-se possível a exibição adequada da expressão através da deteção de algo doloroso

Ocorrida a lesão, a informação responsável percorre todo o nosso organismo, desde a localização do ponto da lesão até ao sistema nervoso central. Para que isto aconteça, recorre-se a dois tipos de células nervosas, para a receção da informação utiliza-se os neurónios aferentes que transmitem a informação desde o local da dor até ao sistema nervoso central, ao contrário dos neurónios eferentes que transmitem a informação do sistema nervoso central para o resto corpo

A configuração da expressão facial da dor pode ser abordada em três dimensões: fisiologicamente através do movimento dos músculos faciais, psicologicamente através da manifestação de um estado e comportamental que revela o que se quer comunicar.

Dicas para lidar com a dor emocional:

  1. Admita a realidade

Se já passou por uma perda amorosa, percebe que é das etapas mais difíceis de realizar. É normal combater a realidade porque as nossas expectativas foram frustradas. A negação também faz parte deste processo.

A recusa mantém-nos cegos, prisioneiros de um capítulo que já fechou. Para se libertar do sofrimento, é preciso erguer os olhos e encarar a dor.

  1. Não tente ultrapassar o mais rapidamente possível

Tem o direito de estar magoado. Pode e deve chorar. Pode optar por passar uns tempos sozinho. Talvez até reconhecer que precisa de ajuda para superar o sofrimento.

Nenhuma destas ações mostra derrota. Isto demonstra que está digerindo a tristeza. Monstra que está consciente do obstáculo e quer enfrentá-lo, apenas ainda não sabe como.

O tempo de incerteza, de reformulação, de novas decisões, é um estágio necessário. Fingir que está bem e sufocar as emoções causa o mesmo dano que ignorar um corte profundo. A tendência é que a ferida infecione. E traga consequências de longo prazo.

  1. Ocupar a sua mente

Ao tentar descobrir meios de parar de sofrer, é fácil cair na armadilha de alimentar pensamentos intrusivos de culpa. De repente, está a pensar sobre o que poderia ter feito diferente. Sobre o que deveria ter percebido antes.

Esses olhares para o passado, repletos de recriminação, são uma receita certa para depressão. Não permita que eles fiquem martelando em sua cabeça, como se deles pudesse surgir uma solução viável.

Assuma o propósito de se distrair. Resolva dar à sua mente um descanso. Escolha se conectar com as possibilidades do presente., Isso não é fuga. É fôlego.

  1. Aprenda alguma coisa com o sofrimento

O que te faz sofrer é algo que você, realmente, tem o poder de mudar? É resultado de um mau hábito seu? Ou de uma forma de levar a vida que está te atrapalhando? Então, não se encolha no lugar de vítima. Nem se proteja da necessidade de amadurecer.

Se é possível encontrar no tropeço um convite à reflexão, não se prive disso! Mas, por favor, não confunda aprendizagem com autopunição. Suas escolhas e experiências negativas foram consequências do que você acreditava ser o correto.

Não se condene por essas perceções. Apenas as questione e busque novas atitudes, para evitar que os mesmos erros se repitam.

  1. Dissolva o significado

A dor emocional é resultado direto do sentido que atribuímos às coisas más que nos acontecem. É difícil, por exemplo, entender como parar de sofrer por alguém enquanto vemos o fim de relacionamento como um atestado de fracasso.

Pense no motivo de seu sofrimento. Tente separá-lo do que ele “parece” sugerir que há de errado com você. Quando separa o evento daquilo que pensa sobre ele — daquilo que decidiu que ele significa — entende que o que dói é sua interpretação. E não o que aconteceu.

  1. Cuide bem de si

Cuide-se, exatamente, como faria se estivesse com uma dor física.

Por exemplo, quando você está constipado. Para recuperar, procura dormir bem. Bebe bastante água. Faz boas escolhas das refeições.

Com a dor emocional, o processo é semelhante. Deve procurar práticas que privilegiem seu bem-estar.

 

Se precisas de ajuda, conta comigo!

 

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João Alves – Psicólogo na WeCareOn

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