“O que estou a sentir? Vou morrer? Não consigo respirar. Tenho tonturas e náuseas. Não está calor e estou a transpirar…”

 

São muitos os pacientes que descrevem sensações muito intensas, de medo, dificuldade em respirar, dor no peito, aperto no estômago, transpiração excesso. Muito recorrem às Urgências hospitalares e depois de descartados os problemas físicos, deparam-se com o possível diagnóstico – Ataque de Pânico.

 

“E agora? O que fazer? Mas eu até não tenho motivos para estar ansioso.”

 

Sintomas de um Ataque de Pânico

 

Segundo os critérios de diagnóstico do DSM-IV se está a sentir esse desconforto intenso, durante o qual 4 ou mias dos seguintes sintomas se desenvolvem abruptamente e atingem o seu pico dentro de 10 minutos:

 

  • Palpitações, batimentos cardíacos ou ritmo cardíaco acelerado;
  • Estremecimento ou tremores;
  • Dificuldade em respirar;
  • Sensação de sufoco;
  • Desconforto ou dor no peito;
  • Sensação de tontura, de desequilíbrio, de cabeça oca ou de desmaio;
  • Nauseas ou mal-estar abdominal;
  • Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalizarão (sentir-se desligado de si próprio);
  • Medo de perder o controlo ou de enlouquecer;
  • Medo de morrer;
  • Parestesias (dormências ou formigueiros);
  • Sensação de frio ou de calor.

 

Se sentir mais de 4 sintomas poderá sofrer de um Ataque de Pânico.

 

São algumas as especificações que podem advir do chamado pânico. Poderá desenvolver outras perturbações que têm inicio num primeiro ataque. Entre elas , medo de sair de casa, medo de estar em sítios fechados, perturbação obsessiva- compulsiva, ansiedade atípica…

Contudo, o facto de alguns paciente terem uma crise de pânico, não os qualifica para um diagnóstico de perturbação de pânico.

 

Mas antes de se confirmar o diagnóstico de Perturbação de Pânico é importante uma avaliação clínica.

 

1)Avaliação médica

É preciso considerar as condições orgânicas associadas com o pânico e os sintomas de ansiedade, pois os sintomas são muitos semelhantes, o que não significa que os sintomas não possam estar associados a um factor orgânico e ao psicológico.

As situações físicas que mais frequentemente podem produzir sintomas semelhantes aos de uma crise de pânico são:

  • Hipoglicemia
  • Hipertiroidismo
  • Hipoparatiroidismo
  • Sindrome de Cushing
  • Feocromocitoma
  • Epilepsia do lobo temporal
  • Intoxicação por cafeína
  • Perturbação do sistema vestibular
  • Prolapso da válvula mitral

 

Estes sintomas físicos também podem desencadear um ataque de pânico.

 

É importante realizar-se uma avaliação da ansiedade antecipatória. São muitos os instrumentos que os técnicos de saúde mental têm à disposição para efectuarem uma avaliação.

 

Apresento aqui um instrumento de auto-observação, um registo onde o paciente regista os comportamentos específicos emitidos em situações que provocam ansiedade.

 

Este instrumento permite reconhecer as situações em que se sente mais ansioso, permite a identificação para posteriormente trabalhar em psicoterapia.

 

 

Registo de Ataque de Pânico

Nome_______________________________________________

Data___________________

Hora__________Duração__________(min)

Estava com: Marido/Mulher________ Amigo_______Estranho______Sozinho_____

Situação ansiógena: Sim/Não

Esperado: Sim/Não

 

Máximo de ansiedade (coloque um círculo)

0____1_____2_____3_______4________5_____6______7______8

Nenhuma                               Moderada                                       Máxima

 

Sensações (assinale):

Palpitações

Suores

Sensação de calor ou frio

Dor no peito

Colapso

Medo de morrer

Dificuldade de respirar

Náuseas

Medo de enlouquecer

Tremores

Sensação de sufoco

Medo de desmaiar

Parestesias (formigueiros)

Desrealização (irrealidade)/despersonalização (desligado de si próprio)

 

Pensamentos ou imagens na altura da crise___________________________________

Descreva_______________________________________________________________

 

 

 

Os registos de ataques de pânico podem dar informação importante acerca de como o paciente diminui os ataques, assim como informação sobre os sintomas e cognições associadas.

 

São várias as abordagens e tratamentos possíveis para tratar os ataques de pânico. Dependendo da severidade dos sintomas, o tratamento poderá envolver   a prescrição de Psicofármacos,  Apoio Psicológico e Psicoterapia.

 

A Psicoterapia prescrita para aliviar sintomas geralmente é a Cognitivo Comportamental, onde o paciente aprende técnicas e, a usar ferramentas para colmatar os sintomas mais severos. E para descobrir o porquê desses sintomas A Psicoterapia Psicanalitica baseada na Psicanálise é a indicada. Nesta psicoterapia o paciente é conduzido a um conhecimento profundo de si mesmo, onde a origem dos sintomas vão sendo desbloqueados e trazidos até ao consciente. Ao serem traduzidos esses sintomas têm tendência a desaparecer e o paciente cria novos comportamentos e relações mais saudáveis.

 

Vilma Ribeiros – Psicóloga Clinica e da Saúde, Psicoterapeuta Psicanalítica @WeCareOn

 

 

 

*artigo de opinião

Carvalho, S.; Gouveia, J.P.;Fonseca, L.(2004), Pânico da compreensão ao tratamento, Lisboa, Climepsi Editores.